A Fifa decidiu mudar a regra que livrou o atacante americano Folarin Balogun de cumprir suspensão durante a Copa do Mundo de 2026. A proposta, votada nesta quinta-feira (15) em Zurique, torna as suspensões automáticas por cartão vermelho impossíveis de suspender no futuro.
O caso aconteceu em 1º de julho, quando Balogun foi expulso contra a Bósnia e Herzegovina, no minuto 64, por um lance contra o defensor Tarik Muharemović. A expulsão geraria suspensão automática para o jogo seguinte, contra a Bélgica, em 6 de julho.
Mas, no dia 5 de julho, a Comissão Disciplinar da Fifa suspendeu a execução dessa punição por um período de probação de um ano. Na prática, Balogun ficou livre para jogar contra a Bélgica.
O que Trump tem a ver com isso?
Donald Trump reconheceu ter telefonado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, pedindo a reconsideração do cartão vermelho de Balogun, jogador da seleção dos Estados Unidos. A Fifa nega que a ligação tenha influenciado a decisão da Comissão Disciplinar.
A Federação Belga reagiu citando o Artigo 66.4 do Código Disciplinar, que prevê suspensão automática sem exceção, e chamou a decisão de violação das próprias regras da Fifa. O recurso apresentado pela entidade foi considerado inadmissível, porque a Bélgica não era parte formal no processo.
A seleção belga anunciou oposição à reeleição de Infantino na presidência da Fifa.
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Quando Donald Trump ligou, Gianni Infantino e a máquina institucional da Fifa atenderam.
A frase é de Antoine Duval, pesquisador do Asser Institute, instituto holandês especializado em direito esportivo.
A Uefa também reagiu, chamando a decisão de uma linha vermelha cruzada pela Fifa. Bélgica, Uefa e parlamentares europeus pediram investigação sobre o episódio.
O que diz a nova regra?
Hoje, o Artigo 27 do código disciplinar permite à Fifa suspender a execução de qualquer punição, sem critério definido para isso. Pela mudança aprovada, suspensões automáticas por cartão vermelho ficam de fora dessa possibilidade. O jogador expulso terá de cumprir o jogo seguinte, sem exceção.
O episódio se soma a outra crise envolvendo a gestão de Infantino. Em outubro, veio à tona que ele recebeu pagamento extra de R$ 8,6 milhões na Copa sem declarar.
Dias antes, o caso do goleiro do Congo já havia ampliado a pressão sobre Infantino dentro da própria Fifa.
A Suíça, país-sede da Fifa, retirou o apoio a Infantino na disputa pela reeleição à presidência da entidade.
A pressão sobre Infantino não é só sobre Balogun. Ela se soma a outros episódios que já colocavam em dúvida sua gestão à frente da Fifa, da Suíça ao dinheiro que recebeu na Copa.
O que fica sem resposta
A mudança na regra resolve o problema técnico, mas não explica a decisão de julho, tomada logo depois do telefonema de Trump a Infantino. Para o especialista Andrei Kampff, agora cabe à Fifa provar que suas decisões seguem as regras, não as circunstâncias políticas.





























