A presidente do Federal Reserve (Fed) de San Francisco, Mary Daly, disse nesta quarta-feira (14) que o banco central americano provavelmente vai precisar subir ainda mais os juros para conter a inflação, mas sem urgência para decidir na reunião de 27 e 28 de outubro.

“É mais provável que precisemos de ajustes adicionais, mas, para mim, o momento certo para esses ajustes ainda está sendo deliberado”, disse Daly à Reuters, em entrevista exclusiva.

A taxa de juros de referência do Fed está entre 3,75% e 4,00% ao ano. Vários colegas de Daly também sinalizaram, nas últimas semanas, que um novo aumento neste mês é improvável.

O comentário de Daly veio horas depois de dados mostrarem que a inflação ao consumidor dos EUA acelerou para 3,7% em 12 meses até setembro. O índice ficou acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.

Os operadores de futuros chegaram a apostar numa alta de juros ainda em outubro. Depois se acalmaram, ao perceber que o aumento foi puxado pelos preços da gasolina, sem alta acentuada na inflação subjacente.

“Definitivamente, esses dados sugerem que o risco para a inflação permanece elevado”, disse Daly. “Mas riscos não são realidades, e reagir ao risco quando se tem tempo para tomar uma boa decisão, para mim, parece imprudente.”

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O que muda no bolso do brasileiro

A perspectiva de juros mais altos e por mais tempo nos Estados Unidos encareceu o dólar e pressionou a Bolsa brasileira nesta quarta-feira (14). O Ibovespa fechou em queda de 0,18%, a 206.505,98 pontos, e o dólar subiu 0,17%, para R$ 5,0289.

O mecanismo é direto: quando os juros americanos sobem, a vantagem da Selic para atrair capital estrangeiro diminui, o que tende a enfraquecer o real frente ao dólar.

O tema também é terreno político nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump voltou a criticar a condução dos juros pelo Fed nas últimas semanas, pressionando por cortes mais rápidos.

O que acontece agora

O Fed se reúne em 27 e 28 de outubro para decidir os próximos passos sobre os juros americanos.

No Brasil, o mercado segue de olho no Copom, que também pondera o ritmo de corte da Selic diante do cenário externo mais apertado.