O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), disse nesta terça-feira (13) estar otimista com as relações entre Brasil e China, apesar da sobretaxa de 55% sobre a carne bovina brasileira. A taxação chegou a 67% sobre os embarques que passam da cota.

Em entrevista a jornalistas em Brasília, o ministro atribuiu o otimismo a avanços recentes nas negociações bilaterais. Ele evitou confirmar se há tratativas específicas para ampliar a cota de carne bovina do país.

Eu estou otimista porque as relações que nós temos mantido com a China têm sido sempre muito positivas e têm representado avanços importantes para o nosso agro

Segundo André de Paula, uma missão chinesa auditou 17 frigoríficos em 6 Estados brasileiros nos últimos dias, em inspeção que durou sete dias. O ministro afirmou esperar que novas unidades sejam autorizadas a exportar para o país asiático nas próximas semanas.

O Brasil já soma 150 frigoríficos habilitados a vender carne à China, depois da liberação de quatro novas plantas no fim de setembro, sendo duas de carne bovina e duas de frango.

A sobretaxa decorre do esgotamento da cota anual de carne bovina que o Brasil tem para exportar à China. O país asiático confirmou o fim da cota de 1,106 milhão de toneladas em 29 de setembro.

Desde então, a China cobra 55% a mais sobre os embarques que excedem o limite, além dos 12% da alíquota convencional.

Como fica a cota em 2027

A cota para 2027 é de 1,128 milhão de toneladas, cerca de 22 mil toneladas a mais que a deste ano.

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A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) já havia previsto que o novo limite também se esgote cedo, entre março e abril de 2027.

Cerca de 16 mil toneladas embarcadas em agosto ainda devem chegar à China em outubro e enfrentar a sobretaxa, mesmo despachadas antes do esgotamento da cota, segundo o Jornal do Comércio.

É o intervalo entre o embarque e o desembaraço aduaneiro que expõe frigoríficos a pagar mais mesmo tendo exportado dentro do prazo.

Em maio, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse à Exame que o governo negocia com Pequim rever o teto da cota a partir de 2027.

A Abiec, por sua vez, discute com o governo um modelo de divisão da cota entre frigoríficos, por critérios como participação nas exportações. Segundo a entidade, a proposta ainda está em elaboração, sem decisão sobre adoção.

O ministro também citou avanços em outros produtos. No fim de setembro, André de Paula assinou com a China o protocolo que libera miúdos suínos, abrindo mercado sem cota para fígado, rim e estômago do animal.

O que acontece agora

Os embarques destinados à cota de 2027, com a tarifa menor de 12%, devem começar em novembro deste ano. A Abiec calcula que o novo limite pode se esgotar entre março e abril.

O ciclo deste ano se repete caso o governo não feche um novo acordo com Pequim antes disso. A China segue como principal destino da carne bovina brasileira, com cerca de 48% do volume exportado pelo país em 2025.