A Polícia Militar prendeu, na noite desta terça-feira (13), o suspeito de matar a namorada Ana Clara Soares de Oliveira, 19 anos, em Taboão da Serra, Grande São Paulo. Matheus Isac Cardoso Silva, 22, confessou o crime em vídeo obtido pela TV Globo.

Ana Clara foi encontrada morta na madrugada de segunda-feira (12), dentro de casa, com um tiro na cabeça. A Polícia Civil havia pedido a prisão temporária do suspeito na manhã de terça, atendida pela Justiça.

Segundo o boletim de ocorrência, o casal estava no imóvel de um amigo de Matheus quando os dois discutiram e ele atirou no rosto de Ana Clara, que morreu no sofá da sala. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a jovem não resistiu.

Segundo a Polícia Militar, Matheus fugiu de moto e pediu a um amigo do casal que o ajudasse a se esconder. O amigo recusou, segundo o relato à polícia, e Matheus ligou para a própria mãe contando o crime.

A mãe foi até o local e indicou à polícia o plano de fuga do filho, segundo o Metrópoles. Matheus foi encontrado e preso na noite de terça, e conduzido ao 1º DP de Taboão da Serra.

Apertei sem querer, em um momento de emoção.

disse o suspeito, em vídeo obtido pela TV Globo.

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"Ele falava: 'Eu vou acabar com a vida dela'. Ele falava isso, sabe? Mas nós não acreditávamos, né?", disse Erasmo, padrasto de Ana Clara, em entrevista à TV Globo.

A delegada responsável pela investigação disse que Ana Clara nunca registrou queixa contra o namorado, apesar do histórico dele e dos relatos de ameaça feitos pela família.

Segundo a investigação, Matheus tem antecedentes: na adolescência, foi acusado de ato infracional análogo a latrocínio; já adulto, teve passagem por roubo.

Qual é o cenário de feminicídio em São Paulo?

O estado de São Paulo fechou o 1º semestre de 2026 com o maior número de feminicídios da série histórica, iniciada em 2018. Foram 141 ocorrências, que resultaram na morte de 142 mulheres.

A alta foi de 10% sobre 2025, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

O aumento ocorre no mesmo ano em que o governo estadual cortou 54% da verba da Secretaria de Políticas para Mulheres, de R$ 36,2 milhões para R$ 16,5 milhões.

A Lei Maria da Penha, que prevê medidas protetivas para vítimas de violência doméstica, completou 20 anos em setembro, em meio ao mesmo recorde de feminicídios.

Vítimas de violência doméstica podem buscar ajuda pela Central de Atendimento à Mulher, no número 180, serviço gratuito e disponível 24 horas em todo o país.