O preço do diesel subiu 7% em um mês no Brasil, para R$ 7,35 o litro, o maior valor desde abril. A alta reflete a guerra entre Estados Unidos e Irã. Trump chamou o aumento de "pequeno preço" pela segurança, em comício na segunda-feira (5).
É um pequeno preço a pagar para manter o mundo seguro, manter nosso país seguro.
Disse Trump durante o evento em Grand Island, Nebraska, estado que ele visitava pela primeira vez em quatro anos. No mesmo palco, assinou ordem executiva liberando a compra de diesel tingido de vermelho, de uso fora de estradas, sem impostos.
Trump também minimizou o risco de retaliação do Irã contra cidades americanas.
"Eles podem destruir uma cidade. Deixem que destruam Los Angeles. Deixem que destruam San Diego. Isso é, este é um preço muito pequeno a pagar", afirmou, prometendo que a guerra está perto do fim.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, chamou Trump de "desequilibrado e perigoso" após a fala. Ela ocorreu em meio à mesma escalada da guerra entre Washington e Teerã que já havia levado Trump a prometer retomar bombardeios contra o país.
O efeito no frete e no bolso do consumidor
O diesel mais caro encarece o frete em todo o país. A Setcesp, sindicato das transportadoras de São Paulo, diz que o combustível chega a responder por 35% do custo operacional das empresas, pressão que tende a repassar para os preços do varejo.
"A alta do diesel já está sendo incorporada aos custos do transporte. É fundamental que as empresas revisem seus custos e negociem contratos de acordo com os impactos observados", afirmou o presidente do Setcesp, Marcelo Rodrigues.
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O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e em outubro 80% dessas compras vieram de refinarias americanas, segundo a Abicom.
Para conter o repasse aos postos, o governo já gastou R$ 15,4 bilhões em subsídios a combustíveis neste ano, mais que o dobro do subsídio de R$ 6,6 bilhões registrado em setembro. A Petrobras recebeu R$ 13 bilhões desse total.
Enquanto o conflito no Irã não termina, o preço do combustível no Brasil segue refém do petróleo internacional, e da decisão dos Estados Unidos sobre manter ou não as exportações de diesel para o país.
O que acontece agora
O cenário mais crítico pode vir em novembro, segundo a Abicom. Se os Estados Unidos proibirem a exportação de diesel, o Brasil perde a origem de 80% do combustível importado em outubro.
"A situação é bem crítica. Se os Estados Unidos realmente proibirem a exportação, novembro vai ser preocupante", afirma o presidente da Abicom, Sergio Araújo.
A crise já é vista pelo setor como continuação de uma crise que soma R$ 37,5 bilhões em custos ao país desde setembro.
O subsídio à gasolina e ao etanol, criado por medida provisória em setembro, venceu nesta segunda-feira (5); o do diesel segue sem data para acabar, ajustado conforme o mercado, segundo o Ministério de Minas e Energia.
A ameaça de banir as exportações de diesel dos EUA ainda não foi confirmada por Trump.





























