Espremer cravos ou assistir a vídeos de extração na internet desperta prazer real no cérebro. A sensação está ligada à evolução humana, ao fortalecimento de laços sociais e à liberação de dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, segundo explica a dermatologia.

O nome técnico do cravo é comedão. Ele se forma nos folículos da pele, onde ficam as glândulas sebáceas responsáveis por produzir sebo de proteção. Quando há acúmulo excessivo dessa gordura com queratina e células mortas, o poro entope.

A dermatologia divide os comedões em dois tipos: os abertos, que escurecem ao entrar em contato com o ar, e os fechados, que formam pequenas elevações claras sob a pele.

A explicação evolutiva está no instinto de limpeza. Ao longo de milhões de anos, higienizar o próprio corpo reduziu o risco de infecções e favoreceu a sobrevivência das espécies.

Em primatas, esse comportamento aparece na catação, quando um animal retira parasitas da pele do outro. Além da higiene, a prática fortalece vínculos sociais, o que explica por que é comum espremer cravos em parceiros ou familiares.

Sob a ótica neurológica, a extração ativa o núcleo accumbens, o centro de recompensa do cérebro, liberando dopamina. O prazer começa antes mesmo da extração, só de antecipar o momento, e não apenas depois dela.

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Por que vídeos de espinha também viciam

Assistir a outra pessoa espremendo cravos ativa um mecanismo parecido, mas não idêntico.

Um estudo publicado na revista científica Discover Psychology, em outubro de 2024, associou o gosto por esses vídeos à curiosidade mórbida e ao chamado masoquismo benigno, termo que descreve o prazer de vivenciar situações desconfortáveis em um ambiente sem risco real.

Essa busca por emoção controlada é parecida com o fascínio por filmes de terror ou montanhas-russas: o cérebro sabe que não há perigo verdadeiro, e isso permite aproveitar a tensão como entretenimento.

Os riscos de espremer cravos em casa

Apesar da recompensa química, espremer o rosto com as mãos pode introduzir bactérias no poro e causar lesões ou espinhas inflamadas.

A orientação dermatológica inclui manter uma rotina de limpeza facial, usar ácidos específicos como glicólico ou salicílico sob orientação médica, e fazer limpeza de pele profissional com regularidade.

A busca por controlar a pele em casa também aparece em outras tendências de beleza questionadas por especialistas: em maio, dermatologistas alertaram sobre os riscos de uma moda parecida, a aplicação de vaselina nos cílios.

O que acontece agora

A dopamina liberada ao espremer cravos é só um capítulo de um debate científico maior sobre o papel do neurotransmissor no comportamento humano. Recentemente, pesquisadores também questionaram outra tendência: os adesivos de dopamina vendidos como solução rápida de bem-estar não convencem a ciência.

O interesse pelo tema reflete uma preocupação mais ampla com o chamado prazer instantâneo: um levantamento recente já discutia se a sociedade está cada vez mais dependente de estímulos rápidos de dopamina.