O IPCA-15, prévia oficial da inflação, subiu 0,70% em setembro, depois de cair 0,40% em agosto. É a última leitura do índice antes do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro, e veio acima até do teto das estimativas do mercado.
O IBGE divulgou o dado nesta sexta-feira (25). O mercado financeiro esperava alta de 0,55%, segundo mediana de projeções da Bloomberg citada pela Folha, com intervalo entre 0,37% e 0,66%. O resultado real, 0,70%, ficou fora dessa faixa.
Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,47%, ante 4,24% no mês anterior. No mesmo mês do ano passado, o IPCA-15 havia subido só 0,48%, menos de um terço da alta registrada agora.
Por que a inflação voltou com tanta força?
Porque o item que gerou a maior deflação em quatro anos em agosto foi o mesmo que puxou a alta em setembro: a conta de luz.
A energia elétrica residencial subiu 7,42% no mês, depois de recuar 6,25% em agosto, com o fim do desconto do Bônus de Itaipu nas faturas.
Sozinho, esse item teve impacto de 0,29 ponto percentual no índice, quase todo o salto de 1,10 ponto em relação a agosto. A bandeira tarifária amarela seguiu em vigor, somando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O efeito não foi uniforme: em Fortaleza, as tarifas caíram 6,65% por uma repactuação aprovada pela Aneel, na direção oposta do movimento nacional. Passagens aéreas (+9,82%) e cigarro (+14%) também pesaram no índice.
É um efeito estatístico previsível (o mesmo desconto que baixou a conta em agosto tinha de sair em setembro), mas que chegou no pior momento político possível, a 9 dias da votação.
Como o número entrou na disputa eleitoral?
O custo de vida virou arma de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Lula (PT), que disputa o quarto mandato, segundo a Folha.
A campanha de Lula, por sua vez, tem destacado indicadores como emprego, renda e o reajuste do salário mínimo acima da inflação.
Nenhum dos dois lados controla o calendário: esta foi a última prévia de inflação divulgada antes do primeiro turno. O IPCA fechado de setembro, índice oficial usado para a meta do Banco Central, só sai em 9 de outubro, cinco dias depois da votação.
Segundo o Boletim Focus do Banco Central, o mercado projeta IPCA de 4,92% para o acumulado de 2026, acima do teto de 4,5% da meta.
A Selic, mesmo após sucessivos cortes, segue em 13,75% ao ano.
O ponto em aberto
Um único dado de inflação não decide eleição, e a série histórica mostra o IPCA-15 subindo e caindo por razões estatísticas que já se repetiram entre agosto e setembro.
O que o índice de setembro deixa claro é que a inflação plena de 2026 segue acima da meta do Banco Central, com ou sem o resultado das urnas. Será o próximo governo, seja qual for, quem herda essa distância.





























