O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que perdeu a própria reeleição neste ano, declarou nesta sexta-feira (9) apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e disse acreditar que o petista vai conquistar o voto evangélico indeciso.

A declaração ocorreu em ato de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, ao lado do deputado Leandro Grass, candidato ao governo local. Segundo Otoni, a estratégia passa por conscientização via redes sociais e pelos canais da campanha.

"Eu não tenho dúvida nenhuma de que nós vamos conquistar votos de evangélicos indecisos", disse Otoni, "principalmente daqueles que perceberam o que o bolsonarismo fez dentro da igreja".

"A igreja não é de direita, não é de esquerda. A igreja tem um dono, e ele é Jesus", afirmou, ao justificar a disputa pelo eleitorado evangélico.

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Otoni chamou Lula de "vagabundo" em 2022 e depois disse se arrepender da declaração. No primeiro turno, declarou voto em Lula após abandonar a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD).

O deputado reconhece que a tarefa é difícil, mas avalia que cada ponto percentual tirado do adversário pode ajudar a definir o resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Otoni de Paula em reunião no Palácio do Planalto, em 2022
Otoni de Paula em reunião no Palácio do Planalto — foto de arquivo, 2022 (Foto: Palácio do Planalto/Wikimedia Commons)

O ato em Ceilândia abriu a agenda de Lula no segundo turno.

A agenda segue até Natal (RN) nos próximos dias. Leandro Grass, que também discursou no evento, já havia dividido palanque com Lula em comício no DF no mês passado.

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A maioria dos evangélicos se declara de direita, mas rejeita política dentro do culto, segundo levantamento sobre o tema.

O episódio ilustra o esforço de Lula para disputar um eleitorado hostil ao petismo. A base evangélica foi decisiva nas vitórias de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. O apoio de um ex-crítico evangélico do presidente mostra a disputa pelo voto religioso no 2º turno.

O que acontece agora

O segundo turno será decidido em 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro voltam às urnas. A campanha do presidente deve repetir atos com aliados de fora do PT em busca do voto evangélico e da direita moderada.