O comércio entre Brasil e Índia cresceu 82% nos últimos anos e chegou a US$ 15,2 bilhões em 2025, o maior valor em pelo menos duas décadas. O avanço acontece em meio ao tarifaço de 37,5% imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
As exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 6,9 bilhões em 2025, o maior volume já registrado. As importações de produtos indianos chegaram a US$ 8,4 bilhões no mesmo período.

O avanço mais recente veio de uma missão oficial à Índia, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Participaram o ministro da Defesa, José Múcio, e representantes de 20 setores econômicos.
Entre os acordos assinados, a Força Aérea Indiana demonstrou interesse no cargueiro militar C-390 da Embraer, que também abriu um escritório em Nova Délhi. A fabricante brasileira emenda recordes de vendas em 2026.
A Petrobras assinou a exportação de mais de 6 milhões de barris de petróleo à Índia. A Fiocruz fechou parceria com uma empresa indiana para transferência de tecnologia de vacinas.
Os dois países também vão adotar o Certificado de Origem Eletrônico no comércio bilateral, o que deve reduzir custos e prazos para exportadores e importadores. A meta oficial é chegar a US$ 20 bilhões em comércio bilateral até 2030.
Por que a Índia virou prioridade agora
A aproximação com a Índia faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro para diversificar parceiros comerciais. Desde julho, o Brasil enfrenta um tarifaço de 37,5% dos Estados Unidos sobre boa parte das exportações.
A resposta do governo é vender para quem mais compra, não só para os Estados Unidos, e a Índia entrou nessa conta ao lado de outros parceiros.
O governo também criou um grupo de trabalho para negociar o tarifaço.
Em paralelo, o Brasil fechou o acordo Mercosul-EFTA, que libera quase 99% das exportações brasileiras aos países europeus do bloco.
O comércio com a Índia não é recente. As exportações brasileiras saltaram de US$ 362 milhões em 1995 para US$ 4,9 bilhões em 2021, crescimento médio de 10,5% ao ano. O ritmo, porém, nunca foi constante.
Especialistas em comércio exterior apontam a distância geográfica, a diferença de idioma e os gargalos logísticos nos portos como os principais obstáculos para o comércio bilateral continuar crescendo no mesmo ritmo.
O que falta para a meta de 2030 emplacar
A meta de US$ 20 bilhões até 2030 exige manter o ritmo recente de crescimento, mas a distância e os gargalos portuários seguem como limitadores estruturais. O novo certificado eletrônico reduz burocracia, mas não resolve o principal entrave logístico do comércio entre os dois países.






























