Influenciadores de esquerda na Argentina, na Colômbia e em outros pontos da América Latina publicaram vídeos nas redes sociais dizendo que gostariam de poder votar em Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL) no pleito deste domingo (4), segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

O movimento ganhou força depois que a direita venceu as seis últimas eleições presidenciais da região.

"Toda a região está guinando para a direita agora", afirma o ator argentino Lucas Tresca, que entrou na onda de vídeos de apoio a Lula. "O Brasil representa uma esperança de frear um pouco esse movimento", diz Tresca.

O ator é cidadão do país governado pelo ultraliberal Javier Milei, um dos apoiadores mais vocais de Flávio Bolsonaro na região.

Milei, no poder desde 2023, abriu uma crise com o Brasil em julho ao atacar autoridades brasileiras, incluindo Lula, durante o lançamento da candidatura de Flávio em São Paulo.

O episódio levou ao rebaixamento inédito das relações entre Brasil e Argentina, decidido pelo Itamaraty no início de agosto. Desde então, o presidente argentino repetiu os ataques a Lula mais de uma vez.

"É aí que você percebe que a Argentina está nas mãos de um sujeito que não tem juízo", afirma Tresca sobre o episódio.

"Não dá para romper relações com o seu principal parceiro econômico — e que, além disso, é o país vizinho, que está logo ao seu lado", completa.

O estudante de direito colombiano André Arcos diz ter se motivado pela fala de Lula na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no mês passado, numa referência à tentativa dos Estados Unidos de ampliar influência na América Latina.

O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

"Quando abri o Instagram depois de publicar o vídeo, estranhei a quantidade de notificações. Aí vi que havia um monte de comentários, curtidas e compartilhamentos", afirma Arcos.

"Não apenas de pessoas do Brasil, mas também gente de toda a América Latina dizendo que também gostaria de poder, de alguma forma, apoiar essa campanha", completa o colombiano.

Arcos define a eleição que levou o ultradireitista Abelardo de la Espriella à presidência da Colômbia, em junho, como "uma das mais tristes" da história recente do país. A vitória de Espriella consolidou a guinada da região ao conservadorismo.

Como a direita venceu seis eleições seguidas na região

A direita latino-americana venceu as seis eleições presidenciais mais recentes da região, uma sequência iniciada em 2025. Hoje restam só Brasil, Uruguai, México e Guatemala sob governos de esquerda no continente.

Eleições presidenciais vencidas pela direita na América Latina desde 2025 — conferido em 03/10/2026
PaísPresidente eleitoResultado
EquadorDaniel Noboa (reeleito)55% dos votos
BolíviaRodrigo Pazfim de 20 anos de governos ligados a Evo Morales
HondurasNasry "Tito" Asfura40,26% dos votos, com apoio declarado de Donald Trump
ChileJosé Antonio Kast58,16% dos votos
ColômbiaAbelardo de la Espriellaeleito em junho de 2026
PeruKeiko Fujimorieleita em julho de 2026

O padrão explica por que o pleito brasileiro deste domingo virou alvo de torcida continental. Nenhuma das seis disputas presidenciais recentes na região teve resultado favorável à esquerda, e os vídeos de apoio a Lula circulam como aposta numa exceção à regra.

O que acontece agora

Lula e Flávio Bolsonaro vão às urnas neste domingo (4). Pesquisas indicam os dois candidatos tecnicamente empatados tanto no 1º turno quanto em eventual 2º turno, segundo levantamento divulgado nesta semana.

O resultado da votação só sai depois do fechamento das urnas, e os vídeos de apoio à candidatura petista seguem circulando nas redes da Argentina à Colômbia enquanto o país vota.