Às vésperas do 1º turno de domingo (4), projeções dos próprios partidos mostram que nem o PT, de Lula, nem o PL, de Flávio Bolsonaro, devem eleger bancada para governar sozinhos na Câmara. A maioria absoluta exige 257 dos 513 votos da Casa.

O PL projeta eleger 115 deputados em 2026. Isso superaria o recorde de maior bancada desde a redemocratização, hoje do PFL, que elegeu 105 em 1998.

O cálculo já considera a composição após a janela partidária, período em que deputados trocam de legenda sem perder o mandato.

Por que nenhum dos dois chega à maioria

Do lado do PT, as projeções internas variam. Um dirigente do partido projetou 100 deputados, o que superaria o recorde histórico da sigla, de 92 cadeiras em 2002.

Já o presidente nacional do PT fez aposta mais cautelosa, de pouco mais de 80 deputados. Somando os sete partidos que hoje apoiam Lula no Congresso (PT, PDT, PSB, PV, PCdoB, Rede e PSOL), a base espera eleger ao menos 200 deputados ao todo.

Esse número otimista fica 57 cadeiras abaixo da maioria.

O cenário não é exclusivo de um lado. A liderança do PT no tempo de TV da propaganda eleitoral não se traduz, nas próprias contas do partido, em maioria de cadeiras.

O que isso significa para quem vencer

Na prática, o novo Congresso deve repetir o que já marcou as duas últimas presidências. Jair Bolsonaro (2019-2022) e o atual mandato de Lula (2023-2026) governaram sem maioria própria.

Os dois recorreram à distribuição de cargos e emendas parlamentares para formar maiorias de ocasião a cada votação importante.

Esse Congresso fragmentado chega à eleição com a imagem desgastada perante o eleitor. Pesquisas recentes mostram o Legislativo com rejeição alta, em meio à crise entre os Poderes que também atinge o Supremo.

Um retrato recente da força do Centrão em votações de impacto foi a aprovação da PEC que extingue a escala 6x1, que só avançou depois de meses de negociação entre o governo e a base aliada.

Quem vencer a corrida presidencial vai herdar o mesmo desafio que já definiu boa parte dos últimos seis anos de governo: fazer maioria votação por votação, não bancada por bancada.

O que acontece agora

O resultado do 1º turno sai neste domingo (4). A composição definitiva da nova Câmara só fica clara depois da apuração completa, e o Congresso eleito toma posse em fevereiro de 2027, quando as negociações por cargos e relatorias de comissões recomeçam do zero.