O tratamento da apneia obstrutiva do sono melhora a qualidade do descanso não só de quem tem o problema, mas também do parceiro que divide a cama, segundo estudo com 63 casais publicado em setembro na revista científica britânica Thorax.
A pesquisa acompanhou 63 casais em que um dos parceiros tinha apneia obstrutiva do sono moderada ou grave. Antes do tratamento, os parceiros relatavam sono fragmentado, dificuldade para adormecer e pior qualidade de descanso.
Os pacientes com apneia foram divididos entre o tratamento com CPAP, aparelho de pressão positiva que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, e uma intervenção placebo com tiras nasais. A comparação com o placebo permite isolar o efeito real do aparelho.
O que muda para quem dorme ao lado?
Depois de três meses, os parceiros de quem usou CPAP tiveram menos despertares noturnos e menos sonolência durante o dia, segundo o estudo. Eles também passaram menos tempo acordados depois de adormecer.
"Quando falamos sobre ronco, normalmente nossa preocupação está concentrada em quem apresenta o sintoma. Mas o sono é compartilhado", explica o Dr. Fábio Caparroz, coordenador do Departamento de Medicina do Sono da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial).
Se o parceiro desperta diversas vezes durante a noite por causa do barulho ou das alterações respiratórias de quem está ao lado, ele também pode não conseguir manter um sono contínuo e reparador.
O ronco pode interromper o sono de quem divide a cama mesmo sem causar despertar completo: os ruídos e as alterações respiratórias já bastam para fragmentar o descanso. É um efeito que a pessoa ao lado sente, mesmo sem perceber a causa.
Quanto sono a mais isso representa?
Uma pesquisa anterior da Mayo Clinic, com 10 casais avaliados por polissonografia, mediu o efeito em números. O método dá precisão clínica ao que antes era só percepção.
Os pesquisadores da Mayo Clinic calcularam que essa melhora equivale a cerca de 62 minutos extras de sono numa noite de 8 horas na cama. Noites mal dormidas repetidas cobram a conta no dia seguinte, com cansaço, sonolência e dificuldade de concentração.
O ronco também tem outros efeitos sobre a saúde de quem convive com ele: pode elevar a pressão arterial de quem apresenta o sintoma, segundo cardiologistas.
O que ajuda a dormir melhor, além do CPAP
Mudanças simples de rotina também contribuem para o descanso de quem divide o quarto: a chamada higiene do sono inclui um ritual noturno fixo, horários regulares e menos telas antes de dormir.
Outros comportamentos durante o sono também intrigam quem divide o quarto: falar dormindo é outro hábito comum que a medicina do sono já consegue explicar.






























