O Ibovespa fechou a última sexta-feira (2) antes do 1º turno das eleições com alta de 2,63%, aos 192.114 pontos, maior patamar desde abril. O movimento repete um padrão raro, observado em quase todos os anos eleitorais desde o Plano Real.

Desde 1994, a Bolsa fechou outubro em alta em 7 dos 8 anos com eleição presidencial, com valorização média de 4,80% nesses meses positivos. A única queda aconteceu no próprio 1994, quando o índice recuou 12,51%.

O padrão se estende ao 2º turno, quando ele existe. Nas últimas cinco eleições com segundo turno, o Ibovespa subiu no intervalo entre os turnos em quatro delas: 2006 (+7,9%), 2010 (+0,6%), 2018 (+4,1%) e 2022 (+4,1%).

A exceção foi 2014, quando o índice caiu 4,8% entre os turnos, durante a reeleição de Dilma Rousseff em meio a uma crise política. O volume de negócios na Bolsa, de todo modo, cresceu nas cinco eleições analisadas nos últimos 20 anos.

"87% dos meses de outubro, de 94 para cá, foram de alta", resume Fábio Figueiredo, analista com 20 anos de mercado.

O que explica a alta desta sexta-feira?

Fatores internos e externos se somaram no pregão. Bancos, Petrobras e Vale lideraram os ganhos, e ações mais descontadas como Hapvida e Natura subiram mais de 10%, segundo agentes do mercado consultados pela imprensa especializada.

Pela manhã, o índice já havia aberto em alta de 1,27%, puxado por dado de emprego dos EUA mais fraco do que o esperado.

O payroll fraco reduz a chance de o Federal Reserve subir os juros americanos, numa semana em que outros dados também reforçaram a aposta numa pausa do Fed em outubro.

O dólar terminou o dia praticamente estável, a R$ 5,2165.

A demanda por proteção cambial ficou concentrada em investidores mais cautelosos com a incerteza eleitoral.

Nem todo mundo lê a alta da mesma forma. Um levantamento especializado no pregão ponderou que os preços avançaram, mas isso não comprova preferência do mercado por candidato algum. Simpatizantes de lados opostos leram o mesmo número de formas contrárias.

O que acontece agora

O resultado do 1º turno, neste domingo (4), deve ser o novo fator a mexer com os preços na reabertura dos mercados, na segunda-feira (5).

Esta foi uma semana lida pelo mercado sob a lente eleitoral, com o Caged e o payroll americano no radar.

O ponto em aberto

O padrão histórico diz que a Bolsa tende a fechar outubro em alta nos anos em que o Brasil elege presidente. A dúvida é se ele se confirma numa disputa tão apertada quanto esta, com o resultado em aberto até a apuração de domingo.