A proibição total das bets no Brasil, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro, tem aprovação de 52% dos eleitores, segundo pesquisa PoderData/Aya divulgada neste sábado (3). Outros 31% desaprovam a medida, e 18% não souberam responder.
A Medida Provisória 1.394, editada no mesmo dia, proíbe a exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa no país, incluindo cassinos virtuais e o chamado "Jogo do Tigrinho". As plataformas devem sair do ar a partir de 6 de outubro.
O texto impede novos depósitos desde a publicação.

Segundo o Planalto, as apostas custam R$ 38,8 bilhões por ano ao país. Lula diz que a proibição integra um pacote contra o endividamento das famílias, que inclui nova fase do programa Desenrola Brasil.
O que a pesquisa mostra sobre a campanha
A pesquisa também mostra que a proibição favorece a campanha de Lula à reeleição: 43% avaliam que ela ajuda o presidente, e 31% dizem que atrapalha. Entre quem votou nele no primeiro turno, a aprovação sobe para 58%.
Entre eleitores de Bolsonaro, a visão se inverte: 43% dizem que a medida atrapalha Lula, e 30% veem vantagem. A pesquisa ouviu 4.000 eleitores em 786 municípios, entre 30 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de 1,5 ponto percentual.
A proibição virou tema da campanha a um dia do primeiro turno. Na quarta (30/9), Lula disse que o bolsonarismo "quer o povo endividado por bets, eu não quero", frase que ecoa o racha entre o presidente e os clubes de futebol provocado pela medida.
A proibição também abriu disputas judiciais. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP, alegando inconstitucionalidade e prejuízo às empresas do setor.
O ministro Luiz Fux, relator das ações no STF, cobrou explicações do governo sobre a MP. A expectativa é de que ele decida na próxima semana e garanta proteção aos clubes de futebol, para que o fim dos patrocínios não paralise o Campeonato Brasileiro.
A pressão econômica também é imediata no futebol. A Sportingbet, patrocinadora de Palmeiras e Vasco da Gama, avisou que vai deixar o Brasil se a proibição for mantida, segundo o executivo da empresa para a América Latina, Antonio Forjaz.
A empresa diz buscar uma saída que não deixe os clubes "na mão" com os contratos, mas não garante permanência no país. O fim dos patrocínios já afeta o caixa dos clubes.
O que acontece agora
Os apostadores têm até a segunda-feira (5/10), às 23h59, para sacar os valores retidos nas plataformas. O mercado estima em R$ 1,7 bilhão o total desses saldos ainda não sacados pelos clientes, segundo estimativa do setor.
Depois do prazo, as empresas devem repassar aos bancos a relação dos valores devidos, e as instituições financeiras terão sete dias para fazer as transferências.
As plataformas devem sair do ar a partir de 6 de outubro, e as autorizações para operar no país serão extintas em 30 dias, sem devolução dos valores pagos pela outorga.
A MP segue valendo enquanto isso, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. Lula disse, em 1º de outubro, não acreditar que os parlamentares vão derrubar a proibição. O debate deve continuar depois da eleição.






























