O empresário e ex-piloto Lucas Di Grassi, fundador da Fórmula E, defende que o mundo vive uma "expansão energética", e não uma transição, porque renováveis e fósseis crescem ao mesmo tempo, segundo discurso no Global Agribusiness Festival nesta sexta (2).
"Precisamos mudar o termo transição energética, vivemos uma expansão energética", afirmou Di Grassi, ao avaliar o momento da demanda global por energia.
"Todo ponto que produz energia é muito importante. Não é uma competição entre biocombustíveis, elétrico, fotovoltaico, nuclear. Como humanidade, vamos precisar de todo combustível", disse.
Di Grassi foi um dos responsáveis por criar a Fórmula E, categoria da qual foi campeão, e já atuou como embaixador do Pnuma (Programa da ONU para o Meio Ambiente) na causa do ar limpo. Ele encerrou a carreira de piloto em agosto.
No palco do GAFFFF, em São Paulo, defendeu que o etanol e a matriz energética majoritariamente renovável do Brasil dão ao país alternativas aos combustíveis fósseis.
"Acredito que o etanol será superimportante no aumento de produção energética no Brasil", disse. "Precisamos usar mais carros elétricos, carros a etanol", acrescentou, contrapondo as duas opções às fontes fósseis, que classifica como finitas e mais poluentes.
Segundo ele, o ciclo de carbono do etanol é neutro: a cana-de-açúcar absorve, no crescimento, o mesmo CO2 que a queima libera depois. Isso não elimina os poluentes do escapamento, que afetam quem está perto do veículo.
"No caso brasileiro, já temos uma matriz [elétrica] 85% renovável. Como nossa matriz é limpa, os carros elétricos não têm emissão de carbono na fonte", disse Di Grassi. O cenário é diferente do de países que dependem mais de fontes não renováveis para gerar eletricidade.
Ele destaca ainda que muitos cálculos que atribuem emissões aos carros elétricos têm como base toda a cadeia produtiva, desde a mineração dos elementos usados na fabricação dos veículos.
O que os números globais de energia mostram
Renováveis e combustíveis fósseis crescem ao mesmo tempo no mundo, segundo o relatório Electricity 2026 da Agência Internacional de Energia (IEA). A demanda sobe tão rápido que nenhuma fonte perde espaço absoluto.
A geração solar fotovoltaica deve crescer cerca de 600 TWh só em 2026, segundo a IEA, superando a eólica como segunda maior fonte renovável do mundo, atrás da hidrelétrica.
É esse crescimento simultâneo de fontes antagônicas que dá lastro ao argumento de Di Grassi de que o mundo expande sua oferta de energia em vez de trocar uma fonte pela outra.
O que muda para o consumidor brasileiro
No Brasil, quem compra carro hoje já sente esse debate: etanol e eletricidade concorrem como opções mais limpas que a gasolina, com preço e disponibilidade variando por estado.
O etanol já é mais vantajoso que a gasolina em 11 estados e no DF, segundo a ANP, e a produção de etanol de milho deve crescer 14,6% neste ciclo.
Para quem avalia trocar de carro, a diferença de emissões entre etanol e elétrico depende da matriz elétrica local, do mesmo jeito que Di Grassi descreve para o cenário global.






























