O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma operação de R$ 25 milhões, pelo programa Mais Inovação, para a AltoQI, empresa de softwares de engenharia de Florianópolis (SC), incorporar inteligência artificial generativa a seus produtos, com foco em edificações complexas.
O financiamento vai bancar 68 profissionais, entre engenheiros de software, analistas de dados e desenvolvedores, que vão criar novas funcionalidades para prédios altos e super altos. O projeto também vai atender às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ausentes em softwares estrangeiros concorrentes.

A plataforma da AltoQI usa a metodologia BIM (Building Information Modeling), que recorre a modelos digitais colaborativos para a "industrialização da construção". Os cálculos feitos antes da obra evitam desperdício, elevam a produtividade e ajudam a cumprir orçamento e cronograma.
Segundo a consultoria global Mordor Intelligence, o mercado mundial de software BIM deve mais do que dobrar até 2031. Com a IA generativa incorporada, a AltoQI ganha competitividade diante de concorrentes estrangeiros.
"Em todo o mundo, grandes desenvolvedores de softwares voltados para a construção civil estão anunciando investimentos em inteligência artificial", disse o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luís Gordon.
Segundo ele, o financiamento vai dar ao setor ferramentas que melhoram o planejamento e a gestão financeira, além de reduzir erros de projeto e execução.
"A AltoQi é referência no desenvolvimento de soluções BIM adequadas às normas brasileiras e ao mercado nacional", disse o CEO da AltoQi, Felipe Althoff.
Segundo ele, o apoio do BNDES ao desenvolvimento da indústria nacional de software BIM é estratégico para acelerar a transformação digital da construção civil.
O investimento que veio antes do BNDES
O aporte do BNDES não é o primeiro sinal de interesse do mercado na AltoQI. Em dezembro de 2025, a siderúrgica ArcelorMittal, maior produtora global de aço, comprou uma participação minoritária na empresa catarinense, sem revelar valor ou percentual.
A ArcelorMittal busca estimular o uso de tecnologia desde o início dos projetos, favorecendo sistemas construtivos em aço, para reduzir desperdício e prazo de obra.
Fundada há mais de 35 anos em Florianópolis, a AltoQI tem 320 funcionários e apoia mais de 70 mil projetistas, construtoras e órgãos públicos. Seu principal software, o Eberick, foi lançado em 1996 e soma mais de 10 mil usuários ativos.
O ganho de produtividade é o principal argumento por trás do investimento. A construção civil brasileira enfrenta queda de produtividade há três décadas, segundo levantamento do setor, e softwares de cálculo prévio ajudam a reverter o quadro.
O financiamento à AltoQI não é um caso isolado. Em 2026, o BNDES também aprovou R$ 84,86 milhões para a HT Micron produzir chips de memória.
Em setembro, o banco também aprovou R$ 300 milhões para a Electrolux investir em inteligência artificial.
O que acontece agora
A AltoQI vai usar o financiamento para lançar as novas funcionalidades de IA generativa em sua plataforma BIM, hoje usada por mais de 70 mil projetistas e construtoras no país. O programa Mais Inovação segue disponível a outras empresas até dezembro de 2026.






























