A produção industrial brasileira caiu 0,6% em agosto ante julho, informou o IBGE nesta sexta-feira (2). O resultado ficou abaixo da previsão de alta de 0,2% feita por 20 instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data e interrompeu a recuperação registrada em julho.

O recuo também apareceu na comparação anual: a indústria produziu 1,2% a menos que em agosto de 2025, quando o mercado projetava alta de 0,1% nessa base. O piso das estimativas ia de -0,2% a +0,8% no mês.

As quatro grandes categorias da indústria caíram no mês, e 16 dos 25 ramos pesquisados também recuaram. Bens de capital perderam 0,6%; bens intermediários, que respondem por cerca de 55% da indústria, caíram 0,2%.

Bens duráveis recuaram 1%, e bens semiduráveis e não duráveis tiveram a maior queda do grupo, de 1,7%.

Quais setores puxaram a queda

Puxaram a queda produtos do fumo, farmoquímicos e a indústria extrativa. O fumo caiu 23,4% no mês, interrompendo quatro meses seguidos de expansão que haviam somado 32,5%.

Farmoquímicos e farmacêuticos recuaram 5,5%, zerando o avanço de 3% de julho, e a extrativa teve o quarto resultado negativo seguido, acumulando perda de 4,7% no período.

Também pesaram equipamentos de informática e eletrônicos (-4%), produtos de borracha e plástico (-1,8%), confecção de vestuário (-3,3%) e produtos de metal (-1,6%).

Nem todos os setores perderam força. Produtos alimentícios subiram 1% pela segunda vez seguida, produtos diversos avançaram 8,4%, químicos cresceram 0,9% e metalurgia, 0,8%.

O quadro mostra que nenhuma das quatro categorias escapou da retração em agosto, ainda que em ritmos diferentes — bens semiduráveis e não duráveis lideraram a queda, enquanto os intermediários foram os que menos recuaram.

O que explica a perda de fôlego

A política monetária restritiva ajuda a explicar o resultado. A Selic está em 13,75% ao ano, nível definido na decisão do Copom que levou a taxa a esse patamar, e encarece o crédito usado por empresas para investir e produzir.

É a terceira queda da produção industrial em 2026, depois de maio e junho. A indústria já havia recuado em maio na maior parte do país.

No acumulado de 2026, porém, a indústria ainda soma alta de 0,8%, e de 0,6% nos 12 meses até agosto.

Nesta sexta-feira, o mercado também acompanha o payroll americano, que também entra na pauta do dia e costuma mexer com dólar e juros no Brasil.

A FGV divulgou ainda a Síntese das Sondagens de setembro. O Índice de Confiança Empresarial caiu 0,5 ponto, a 91,1 pontos, e o Índice de Confiança do Consumidor recuou pelo quarto mês seguido, a 83,5 pontos, o menor nível desde novembro de 2022.