O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (24) que foi intimado pela Polícia Federal para depor como testemunha no caso do Banco Master. O depoimento deve ocorrer no início de outubro, ao lado de outros três nomes do topo do sistema financeiro.

Junto com ele, a PF convocou também Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, André Esteves, dono do BTG, e Ailton de Aquino, diretor de fiscalização do BC. Os quatro depõem como testemunhas, obrigadas por lei a dizer a verdade, e nenhum é suspeito.

A convocação já havia sido revelada em 9 de setembro pelo jornal O Estado de S. Paulo. A novidade desta quinta é a confirmação pública do próprio Galípolo, com data prevista.

A Polícia Federal apura se dois ex-servidores da supervisão bancária do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, favoreceram Daniel Vorcaro dentro do órgão.

Mensagens do celular do banqueiro mostram um pagamento de R$ 120 mil a uma empresa do irmão de um chefe de gabinete do BC.

Outro nome citado é João André Calviño Marques Pereira, ex-chefe de Regulação do Sistema Financeiro entre 2018 e 2024. O Master declarou à Receita ter pago R$ 3 milhões, em 2025, à empresa dele.

Sobre o caso da LR Consultoria, Galípolo defendeu a presunção de inocência do servidor. Ele disse que o funcionário comunicou aos superiores a consultoria prestada pelo irmão a Vorcaro na área de mineração.

A CGU acompanha os dois ex-servidores desde março, num processo que pode levar à expulsão do quadro do BC.

André Esteves está na lista por outro motivo. O BTG avaliou comprar ativos do Master antes da quebra, e Vorcaro chegou a vender cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos pessoais ao banco rival. A negociação maior, porém, não avançou.

Por que o caso mobiliza tanta gente?

O tamanho do estrago explica a mobilização. A quebra do Master deixou um rombo de R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, o maior resgate da história do fundo desde o Banco Nacional, em 1995.

A Operação Compliance Zero, que apura o esquema, já bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens ligados a Vorcaro, preso desde novembro de 2025.

O ponto em aberto

O Fundo Garantidor de Créditos recebeu uma denúncia sobre o Master em fevereiro de 2022, mais de três anos antes da liquidação extrajudicial do banco, em 18 de novembro de 2025.

É esse intervalo que o depoimento de outubro deve ajudar a esclarecer: o que a fiscalização sabia, quando soube, e por que o alerta não bastou para evitar o maior rombo da história do país.