O rombo deixado pela quebra do Banco Master chegou a R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o maior resgate da história do fundo. O valor é 58% maior que o do Banco Nacional, em 1995, hoje corrigido pela inflação para R$ 32,8 bilhões, até então o recorde.

O FGC já havia pago R$ 39,2 bilhões aos credores do Master, R$ 124,7 milhões aos do Will Bank e R$ 2,5 bilhões aos do Banco Pleno até 25 de março. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, resumiu o caso em uma palavra: "consternação".

Como um banco pequeno causou o maior rombo do país

Master, Will Bank e Banco Pleno somados representavam apenas 0,57% dos ativos e 0,55% dos depósitos de todo o sistema financeiro nacional quando quebraram. O tamanho do estrago não teve relação com o tamanho do conglomerado.

O patrimônio líquido do Master, sob controle de Daniel Vorcaro desde 2018, saltou de R$ 200 milhões para R$ 4,7 bilhões entre 2019 e 2024. A carteira de crédito multiplicou quase 30 vezes no mesmo período, para R$ 40 bilhões.

O Banco Central bloqueou a tentativa do BRB de comprar uma fatia do Master em setembro de 2025, por falta de documentação. Dois meses depois, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Vorcaro.

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial de todo o conglomerado.

Por que o caso ainda está no noticiário

A Compliance Zero segue rendendo capítulos novos meses depois da liquidação. Na 5ª fase da operação, em maio, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) virou alvo direto: a PF diz que ele foi o destinatário central de vantagens indevidas do banco. Ele não comentou a acusação.

Nesta mesma semana, a Polícia Federal apurou que Vorcaro pagou US$ 38 mil para a viagem à Disney de um ex-diretor do Banco Central.

No mesmo período, o ministro Alexandre de Moraes acusou André Mendonça, relator do caso no STF, de manter 180 documentos em sigilo.

Passados quase dez meses da liquidação, o caso ainda produz um capítulo novo por semana — sinal de que a apuração de quem se beneficiou do banco está longe de terminar.

O que a TV Sim observa

O ponto que resta em aberto é institucional, não pessoal: um banco com menos de 1% do sistema financeiro nacional produziu o maior rombo já registrado no FGC. A pergunta que fica é até onde vai a cadeia de responsabilidade na supervisão bancária.