O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos chegou a 5,15% nesta quinta-feira (24), o maior nível desde 2007. A alta subiu pelo terceiro dia seguido e já pressiona as taxas do Tesouro Direto no Brasil.

Segundo a Folha de S.Paulo, o rendimento havia fechado a quarta-feira (23) em 5,132% e avançou mais 0,03 ponto percentual na quinta. O título de 30 anos foi a 5,443%, o maior nível desde 2004.

A liquidação de Treasuries também contaminou outros mercados. As Bolsas da China tiveram a maior queda diária em um mês, e o título japonês de dez anos subiu a 3,08%, o maior nível desde 1996.

Segundo a CNN Brasil, o rendimento do Treasury de dez anos começou o ano em 4,15% e chegou à máxima intradiária de 5,14% nesta quinta. O gatilho foi um PMI mais forte, índice de atividade do setor privado americano.

O emprego nos EUA avançou na velocidade mais alta desde 2022. A probabilidade de o Federal Reserve subir juros em outubro, precificada pelo mercado, foi a 66%, ante 55% no dia anterior.

"No geral, foi uma leitura muito mais forte do que o esperado para a atividade empresarial nos EUA", disse Vail Hartman, estrategista de juros dos EUA no BMO Capital Markets, à CNN Brasil.

"Isso implica ampla margem para que tanto as taxas de política monetária quanto os rendimentos do Treasury sigam subindo."

"Isso é o mercado nos dizendo que entramos em um genuíno ciclo de reaperto", completou Tony Miano, analista de estratégia global do Wells Fargo Investment Institute.

O que muda no Tesouro Direto brasileiro?

As taxas do Tesouro Direto sobem no mesmo movimento, porque investidores exigem retorno maior para financiar a dívida pública quando o juro dos EUA aperta. O Tesouro Prefixado 2032 foi de 14,11% no fechamento de quarta para 14,14% nesta manhã, segundo o InfoMoney.

O Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou de 14,12% para 14,16%, e o Prefixado 2029, de 13,81% para 13,83%. Nos títulos indexados à inflação a alta foi mais discreta: o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 subiu de 7,20% para 7,22%.

Para quem compra título prefixado agora, a taxa mais alta trava um rendimento maior até o vencimento; para quem já tem papel prefixado e precisa vender antes do prazo, o preço de mercado cai.

A pressão de renda fixa também vem de outra frente: o petróleo voltou a subir e reacendeu o temor de inflação no Brasil. O Brent subia 3,21% na manhã de quinta, a US$ 106,39 o barril, somando-se ao salto de quase 4% de quarta.

Segundo Mohit Kumar, da Jefferies, "parece haver muita gente sofrendo no mercado de renda fixa". Eric Robertsen, do Standard Chartered em Singapura, chamou o movimento de "correlacionado": o Bund alemão de dez anos foi a 3,57% e o gilt britânico, a 5,38%.

O que acontece agora

O mercado americano aguarda a decisão do Federal Reserve sobre juros, com a probabilidade de alta em outubro já em 66%. Foi a terceira alta seguida do diferencial entre a Selic e o juro americano se estreitando nesta semana.

O mesmo movimento já pesa no câmbio: nesta semana, o dólar sobe no Brasil mesmo com Lula na frente da pesquisa presidencial.

No Relatório de Política Monetária divulgado na mesma quinta, o Banco Central apontou que o efeito do choque do petróleo sobre a inflação das famílias ainda tem evidências limitadas, segundo leitura do Itaú BBA citada pelo InfoMoney.

É apenas a segunda vez que o Treasury de 10 anos rompe a marca de 5% desde 2007. A primeira foi em 14 de setembro, dez dias antes deste novo pico.

O patamar de 2007 marcava onde a economia americana estava às vésperas da crise financeira global, mas não foi a causa dela.