A Edge, empresa de gás natural do grupo Cosan, assinou memorando com o governo do Rio Grande do Sul para instalar um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no porto de Rio Grande, com potencial de R$ 1 bilhão em investimentos.

O acordo será formalizado nesta sexta-feira (25), no porto gaúcho. O terminal vai operar em conjunto com o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), que a Edge já opera em Santos.

O Rio Grande do Sul enfrenta um gargalo real de abastecimento: a capacidade do gasoduto Gasbol até o estado é limitada a 2,5 milhões de m³ por dia, teto que o consumo costuma atingir no inverno.

O Gasbol é telescópico, com diâmetro menor no trecho sul. Essa característica já limita a chegada de mais gás aos estados do Sul, segundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

A refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras, consome cerca de 600 mil m³ por dia e já opera perto do limite. Em Santa Catarina, o mesmo gargalo já impediu atrair investimentos para a indústria cerâmica, segundo a Abegás.

O projeto se apoia em uma regulamentação recente que facilita o acesso de terceiros a terminais de GNL no país.

O movimento chama atenção porque vai na contramão de outra frente da própria Cosan: nos últimos meses, o grupo tem vendido participações em outros negócios para reduzir dívida. Enquanto desinveste em um lado, aposta em expandir a infraestrutura de gás no outro.

A Edge nasceu em 2024 dentro da Compass e hoje também investe em gás distribuído por caminhões criogênicos, para indústrias fora do alcance dos gasodutos.

O investimento acompanha uma tendência do setor: em 2026, o governo já liberou gasodutos da Petrobras para leilões que prometem gás até 50% mais barato para a indústria.

O que acontece agora

O memorando é assinado nesta sexta-feira (25) e abre uma fase de estudos técnicos, regulatórios e de logística para viabilizar o terminal. A decisão final de investimento ainda depende de aprovação da Compass e dos órgãos competentes, sem prazo definido.