A Caixa Econômica Federal vai acionar o Tribunal Superior do Trabalho (TST) com pedido de dissídio coletivo contra a greve nacional dos bancários, iniciada em 10 de setembro. A decisão veio após mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT) terminar sem acordo, na quarta-feira (23).
Em nota, o banco disse que decidiu submeter a questão ao TST "buscando uma solução institucional que assegure segurança jurídica e previsibilidade para todas as partes envolvidas". Afirmou ainda que vai manter o respeito às entidades representativas dos trabalhadores durante todo o processo.
A greve chega nesta quinta-feira (24) ao 15º dia. O principal impasse é o plano de saúde: os funcionários já recusaram três propostas do banco, a última delas rejeitada em assembleia na noite de segunda (21).
O que trava a negociação
Entre as queixas dos bancários está o reajuste na consulta de pronto-atendimento, que a Caixa propôs subir de R$ 75 para R$ 120.
A última oferta do banco amplia de 6,5% para 9% o teto de participação na folha de pagamento do Saúde Caixa a partir de 2027, sem reajuste nas mensalidades em 2026.
O impasse é a mesma disputa que já custava R$ 900 milhões ao banco antes da votação que rejeitou a proposta anterior. Pela proposta, a contribuição do titular passaria a 3,7% da remuneração-base em 2027, com valores fixos para dependentes: R$ 560 para dependente direto.
Segundo os representantes dos empregados, esses valores zerariam o reajuste real dos salários ao custear o plano, o mesmo ponto que já explicava por que os bancários entraram em greve nos primeiros dias do movimento.
O que muda para quem é cliente da Caixa
A greve não afasta a obrigação de pagar contas em dia, segundo o Procon-SP, que orienta o uso de aplicativos, sites, supermercados ou casas lotéricas para quitar boletos durante a paralisação. Depósitos e saques continuam disponíveis nos caixas eletrônicos.
"Quando a instituição mantém atendimento presencial, o Banco Central estabelece que ela não pode simplesmente impedir, recusar ou dificultar o atendimento sob o argumento de que existem canais eletrônicos", explica Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito bancário.
Segundo Canutto, o cliente que provar que tentou pagar dentro do prazo e não conseguiu por indisponibilidade do serviço pode contestar multa e juros da mora.
Os pagamentos do Bolsa Família seguem normais durante a greve, segundo o banco, no mesmo padrão mantido desde o início do movimento, como já mostrava nossa cobertura sobre por que a greve da Caixa pesa para além dos bancários.
O ponto em aberto
Um dissídio coletivo pode levar meses até ser julgado pelo TST, e não interrompe a greve por si só.
A Caixa escolheu deixar para a Justiça do Trabalho a decisão que a mesa de negociação não fechou em 15 dias. O desfecho agora depende do calendário do tribunal, não mais das partes.





























