O Tribunal do Júri do Recanto das Emas condenou o ex-deputado distrital Adão Xavier a 14 anos e três meses de prisão nesta quinta-feira (24). Ele mandou matar o adolescente Ewerton, de 16 anos, em 2004, e hoje disputa vaga na Câmara Legislativa do DF.

O crime aconteceu em 8 de março de 2004. Segundo a acusação, Xavier suspeitava que o adolescente mantinha um relacionamento com a então esposa dele e decidiu encomendar o assassinato.

Ewerton foi encontrado morto com dois tiros na cabeça atrás de uma parada de ônibus, perto do viaduto que liga o Recanto das Emas a Samambaia.

Fachada do prédio da Câmara Legislativa do Distrito Federal
Sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, instituição à qual o ex-deputado tenta retornar (imagem de arquivo) — Foto: Borowskki/Wikimedia Commons (domínio público)

Segundo o Ministério Público, Xavier contratou Eduardo Gomes da Silva, o "Risadinha", por R$ 15 mil para executar o crime. Silva repassou R$ 2 mil a Leandro Dias Duarte e a um adolescente para cometerem o assassinato.

Risadinha foi condenado a 19 anos e três meses, e Duarte, a 15 anos.

O autor do disparo, segundo a acusação, foi o próprio adolescente contratado.

Xavier era deputado distrital pelo então PMDB na época do crime. A Câmara Legislativa cassou o mandato dele após a denúncia, o primeiro caso de perda de mandato da história da Casa.

O ex-parlamentar exerceu três mandatos como deputado distrital, eleito em 1994, 1998 e 2002. Na CLDF, foi autor da lei que instituiu o Dia do Evangélico no calendário oficial do DF, comemorado em 30 de novembro.

Por que ele ainda não foi preso

Xavier não será preso agora porque o artigo 236 do Código Eleitoral proíbe a prisão de candidatos entre 15 dias antes e 48 horas depois da votação. O juiz Valter André de Lima Bueno Araújo autorizou o adiamento.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

A imunidade eleitoral vale para qualquer candidato condenado no período, não é um benefício exclusivo do caso. Xavier concorre a uma vaga na CLDF pelo Democracia Cristã, partido diferente daquele pelo qual foi eleito nos anos 1990 e 2000.

O caso se soma a outros episódios de candidatos do DF com pendências na Justiça neste ano. A candidatura de Arruda segue contestada no TSE, mesmo com ele mantendo a campanha.

Também não é o primeiro caso recente de ex-parlamentar condenado por homicídio: em setembro, o STJ manteve a condenação da ex-deputada Flordelis a 50 anos de prisão.

O julgamento ocorreu na quarta-feira (23), com oito testemunhas ouvidas: os pais de Ewerton, a ex-esposa do condenado, delegados da época e o ex-diretor da Polícia Civil do DF, Laerte Bessa.

A reportagem do G1 tentou contato com a defesa de Xavier e não obteve resposta até a publicação das fontes usadas nesta matéria.

O que acontece agora

O mandado de prisão de Xavier será expedido a partir de 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno das eleições distritais. Até lá, ele segue candidato e pode fazer campanha normalmente, mesmo já condenado pelo júri.