O Índice de Confiança do Consumidor da FGV caiu pela quinta vez seguida em setembro, para 84,2 pontos, o menor nível desde novembro de 2022. A queda nas expectativas dos brasileiros para o futuro puxou o resultado, mesmo com leve melhora na avaliação do presente.

O Índice de Expectativas (IE) recuou 0,9 ponto, para 85,2 pontos, o menor nível desde maio de 2022. Já o Índice de Situação Atual (ISA), que mede a percepção do presente, subiu 0,2 ponto, para 84,0 pontos.

"A confiança do consumidor encerra o terceiro trimestre em baixa, acumulando perda de 4,9 pontos nos últimos cinco resultados. A piora foi totalmente influenciada pela queda nas expectativas, enquanto os indicadores sobre o presente indicam uma ligeira melhora", disse Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre.

O resultado foi atenuado pela recuperação da confiança entre consumidores de renda mais baixa, sobretudo na percepção sobre a situação financeira da família daqui a um ano. O movimento pode estar ligado ao reajuste de valores de benefícios sociais, segundo Tobler.

"Olhando para os próximos meses, ainda é difícil imaginar uma retomada da confiança dos consumidores, considerando que as condições financeiras continuam apertadas, com alto endividamento e inadimplência", completou o economista.

Entre os itens que compõem as expectativas, a intenção de comprar bens duráveis caiu 2,4 pontos, para 72,3 pontos, e a avaliação sobre a situação econômica local no futuro recuou para o menor nível desde agosto de 2025.

A queda na confiança acontece no mesmo dia em que o Banco Central reduziu a previsão de crescimento do PIB de 2026, de 2% para 1,8%. Dias antes, o BC já descartava solavanco no câmbio apesar do corte da Selic.

O país também sente o efeito externo: o Fed sinalizou mais aumentos de juros nos Estados Unidos, o que reduz a vantagem da Selic para atrair capital estrangeiro.

O que isso significa para o consumo

O período mais sensível a esse humor é o fim de ano: o salto nas vendas do varejo entre novembro e dezembro, tradicionalmente puxado pelo Natal, caiu para 11,7% em 2025 ante anos anteriores, com parte das compras antecipada para a Black Friday.

O ponto em aberto

A leitura da FGV converge com a do Banco Central, que no mesmo dia reduziu a previsão de crescimento do país. É a segunda leitura pessimista da semana: a Fazenda também cortou sua previsão do PIB nos últimos dias.

O reajuste de benefícios sociais sustentou a confiança de quem ganha menos. O próprio Ibre reconhece que ainda é difícil prever se isso resiste até o fim do ano.