A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) elevou para 67,6 milhões de sacas sua estimativa para a safra brasileira de café 2026/27, no terceiro relatório da temporada. O volume é 19,6% maior que o ciclo passado e o maior já registrado pela série histórica da companhia.

O avanço é puxado pelo café arábica, estimado em 48,2 milhões de sacas, alta de 34,8%. Já o conilon deve recuar 6,6%, para 19,4 milhões de sacas, mais sensível ao clima do que ao ciclo bienal da planta, segundo a Conab.

Quanto cada estado produz?

Minas Gerais segue como o maior produtor do país, com quase metade de toda a produção nacional de arábica. O Espírito Santo é o único estado entre os grandes produtores com queda na safra total.

Produção de café por estado na safra 2026/27, segundo a Conab (dados de 24/09/2026)
EstadoProduçãoVariação
Minas Gerais34,96 milhões de sacas (arábica)alta
Espírito Santo16,48 milhões de sacas (arábica + conilon)-5,4%
São Paulo6,19 milhões de sacas (arábica)alta
Rondônia2,88 milhões de sacas (conilon)+24%
Bahia4,49 milhões de sacas (arábica + conilon)+1,2%

Minas sozinha explica boa parte do salto nacional, avançando a fatia que já tinha na produção de arábica do país. O estado deve passar de 45,5% para 49% de toda a produção brasileira de arábica nesta safra.

A produtividade média do país subiu para 34,6 sacas por hectare, alta de 13,8%, com a área plantada crescendo 4,4%, para 2,35 milhões de hectares.

O que muda para quem exporta o café?

A oferta maior já aparece nas exportações: o Brasil embarcou 3,8 milhões de sacas em agosto, alta de mais de 50% sobre o mesmo mês do ano passado.

No acumulado de janeiro a agosto, porém, as exportações ainda somam 24,6 milhões de sacas, queda de 6,6% ante 2025.

A regulação antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que passa a exigir rastreabilidade da origem do grão em 2026, é outro fator que pesa sobre o comércio exterior do café brasileiro neste ciclo.

O que acontece agora

A colheita recorde já derrubou o preço pago ao produtor: a saca de arábica caiu para R$ 1.773 em Guaxupé (MG) em julho, direto reflexo da oferta maior.

O próximo ciclo já preocupa o setor: calor e chuva irregular colocaram a florada do café mineiro em alerta para a safra 2027/28, que tende a ser de bienalidade negativa.