O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira (24) que começou, com o Banco Central Europeu (BCE), a avaliar a interligação entre o Pix e o Tips, sistema de pagamentos instantâneos da zona do euro. O início foi aprovado pelo Conselho de Governadores do BCE.
As duas autoridades vão analisar aspectos técnicos, jurídicos, operacionais e de negócio da conexão. Segundo o BC, a proposta é permitir remessas internacionais e compras com o dinheiro disponível na moeda local do destinatário "em poucos segundos".
Quanto custa mandar dinheiro para a Europa hoje?
Hoje, uma remessa para a zona do euro passa pelo sistema Swift, com taxa fixa de cerca de US$ 20 por operação, mais o IOF, de 0% a 3,5% conforme o tipo de transferência. O prazo típico é de 24 horas a dois dias úteis.
É essa demora e esse custo que a promessa do Pix-Tips ataca: a ideia é que o dinheiro chegue já convertido, no tempo de um Pix comum.
O Pix, hoje restrito ao Brasil, movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025 e processa cerca de 250 milhões de pagamentos por dia, segundo o Poder360, escala que dá ao BC moeda de troca com os europeus.
O Brasil seria o primeiro parceiro do Tips fora da Europa?
Não. O Tips já negocia ou mantém conexões com outros sistemas fora do bloco europeu: o Nexus Global Payments, do BIS; o UPI, da Índia; e o SIC Instant Payments, da Suíça.
A avaliação com o Pix segue essa mesma lógica de interoperabilidade buscada pelo Eurosistema. Do lado brasileiro, a interligação também atende ao Plano de Ação do G20 para Pagamentos Transfronteiriços.
O ponto em aberto
O próprio Banco Central não deu prazo para a interligação sair da fase de avaliação e começar a valer na prática.
O anúncio chega num momento de sinais opostos sobre o Pix no exterior: enquanto a Europa aceita discutir a conexão, o sistema já foi alvo de investigação comercial dos Estados Unidos neste ano.
O próprio presidente do BC já rebateu as críticas americanas: "críticas ao Pix são desculpa dos EUA", disse ele em julho, ao chamar o questionamento de pretexto para outras disputas.
A promessa de remessas em segundos depende de anos de trabalho técnico entre dois blocos regulatórios diferentes. Até lá, quem manda dinheiro para a Europa segue pagando a taxa Swift e esperando dois dias úteis.





























