A produção de laranja da Flórida deve cair 23% na safra 2026/27, para 10 milhões de caixas, segundo o USDA. A queda amplia o papel do Brasil como maior fornecedor de suco aos EUA: as exportações somaram 96 mil toneladas em setembro, alta de 78%.

São 10 milhões de caixas contra 12,95 milhões na safra anterior. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a retração soma geada do inverno passado, danos acumulados de furacões e a disseminação do greening, doença que compromete a produtividade dos laranjais.

A área plantada no estado caiu para 51,3 mil hectares em 2026, 24% a menos que no ano anterior.

Desde 2015, quando o estado tinha 164 mil hectares em produção, a retração acumulada chega a 69%.

Os números mostram uma mudança duradoura na geografia do suco: a Flórida, que já foi a maior produtora mundial de laranja, cede espaço ano após ano. O mercado americano passa a depender mais de fornecedores externos para abastecer a indústria de bebidas.

Por que o Brasil ganha espaço

O Brasil ganha espaço porque é o maior produtor mundial de laranja e concentra a indústria de suco concentrado e congelado (FCOJ) que abastece o mercado americano. Em setembro, as exportações brasileiras somaram 96 mil toneladas em FCOJ, alta de 78% sobre agosto.

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É o maior volume mensal em 23 meses. O resultado mostra a indústria americana recorrendo cada vez mais ao suco brasileiro para cobrir a falta de fruta na Flórida, segundo a leitura do mercado feita pelo Itaú BBA.

Segundo o analista Wharlhey Nunes, do Itaú BBA, a redução contínua da capacidade produtiva da Flórida reforça a dependência americana de importações de suco. Ele classifica o Brasil como fornecedor estratégico para o mercado dos Estados Unidos.

A interdependência entre Brasil e Estados Unidos no setor de suco de laranja já vinha sendo destacada pela CitrusBR, associação que representa os exportadores brasileiros, meses antes do agravamento da quebra na Flórida.

Parte dessa relação comercial tem respaldo tarifário: o suco de laranja ficou fora da lista de produtos sobretaxados pelo tarifaço de Trump contra o Brasil, o que manteve o fluxo de exportação sem barreira adicional.

Nem tudo é vento a favor para o setor brasileiro. A safra nacional também recuou 10% nesta temporada, o que já havia levado produtores a buscar novos destinos, como Japão e Coreia do Sul, para diversificar as vendas.

Ainda assim, o ritmo de embarques ao mercado americano não parou de subir. A exportação de suco já crescia 9,6% em setembro na comparação acumulada do ano, antes mesmo da nova projeção de quebra na Flórida.

O cinturão citrícola brasileiro, que concentra São Paulo e o Triângulo Mineiro, soma 263,15 milhões de caixas estimadas pela Fundecitrus para a safra atual. É um volume mais de 26 vezes maior que o da Flórida projetado para 2026/27.

O USDA deve revisar a estimativa da Flórida ao longo da colheita americana, que se estende até o meio do ano que vem. Até lá, o tamanho da quebra segue sujeito a novos ajustes climáticos e sanitários nos pomares do estado.