O Brasil importou 11,2 mil máquinas agrícolas da China e da Índia entre janeiro e setembro deste ano, alta de 42% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Em quatro anos, essas importações saltaram 144%.

Em 2021, entraram no país 4.500 máquinas agrícolas importadas. Em 2025, o número já passava de 11 mil unidades. No mesmo intervalo, as vendas internas recuaram de 60,7 mil para 49,8 mil unidades, tombo de cerca de 18%.

A queda deixou fábricas ociosas e ampliou a preocupação com empregos e fornecedores de peças, aço, plásticos e componentes eletrônicos, segundo a associação.

"O setor de máquinas agrícolas vive um dos seus piores períodos nos últimos dez anos", disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet, à Folha de S.Paulo.

China e Índia concentram 93% das máquinas agrícolas importadas pelo Brasil. Os equipamentos chineses passaram de 2.100 unidades em 2024 para 3.900 em 2025 e já somam cerca de 5.200 nos nove primeiros meses de 2026, alta de 117% sobre igual período do ano passado.

A Índia, fornecedora tradicional do setor, enviou 5.250 máquinas no mesmo intervalo, 11% a mais do que em 2025. O movimento repete o que já havia sido visto na exportação recorde da China, que beneficia a soja brasileira mas ameaça a indústria nacional.

Máquinas agrícolas importadas por origem, segundo a Anfavea — conferido em 20/10/2026
Origem20242025Jan-set/2026
China2.1003.9005.200
Índia5.8006.0005.250

Impacto nas fábricas brasileiras

O recuo atinge sobretudo as colheitadeiras, o equipamento mais caro da linha. As vendas caíram de 8.000 unidades em 2021 para 3.000 em 2025 e tiveram nova queda de 39,4% entre janeiro e agosto deste ano, para cerca de 1.400 máquinas.

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Nos tratores, a retração em 2026 foi de 14,1%, para 25,5 mil unidades vendidas. O recuo veio em todas as categorias de máquina.

O movimento já havia aparecido na retração registrada na Agrishow deste ano, quando fabricantes relataram o pior desempenho de vendas da década.

Segundo Calvet, a queda nos preços das commodities reduz a margem dos produtores rurais. Dívidas acumuladas e crédito rural mais escasso no início da nova safra dificultam o investimento em equipamentos de alto valor.

O crescimento do agronegócio não se traduz automaticamente em dinheiro para renovar tratores e colheitadeiras, e a importação mais barata vira alternativa para quem precisa trocar a frota.

As compras importadas seguem concentradas nos equipamentos de menor potência, faixa em que fabricantes chineses e indianos praticam preços mais baixos que a indústria instalada no Brasil.