O fenômeno El Niño, no nível mais forte desde 1900 segundo o Serviço Meteorológico do Reino Unido, castiga o Corredor Seco da América Central e já mata gado por sede e fome em Honduras. O mesmo fenômeno pressiona lavouras e pastagens no Brasil.
Em Choluteca, no sul de Honduras, o agricultor Juan Estanislao Muñoz, de 61 anos, está acostumado a secas intensas. Mas diz que a atual não tem precedentes.
Tenho 61 anos e nunca, na minha vida, vi uma seca como esta. Não haverá colheita, não haverá nada.
"Tenho uma vaca, mas, agora, ela não está comendo pasto, mas sim terra, folhas. O gado aqui está morrendo de sede e de fome", relata.
Mais de 10 milhões de pessoas vivem no Corredor Seco, faixa que cruza Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica. Mais de 70% da população rural vive na pobreza, segundo a ONU.
O mesmo fenômeno climático que tira o sustento de famílias inteiras na América Central aparece no Brasil como linha de custo a mais na planilha do produtor.
O que o mesmo El Niño faz no Brasil?
O El Niño atual é classificado como muito forte, com 81% de chance de se manter assim entre outubro e dezembro, segundo o governo brasileiro. O fenômeno deve trazer seca ao Matopiba, Norte e Nordeste, e chuva em excesso na Região Sul.
Na pecuária, o principal efeito é a piora das pastagens e a menor disponibilidade de água, o que eleva o custo de suplementação alimentar do gado, principalmente no Nordeste. O fenômeno deve dividir a safra brasileira entre chuva e seca dependendo da região.
Publicidade
Quem esperar outubro para fechar a compra de fertilizante ou ração pode pagar de 12% a 22% mais caro do que quem negociou em agosto, segundo analistas do setor.
O impacto já aparece no seguro rural. No Amazonas, as indenizações pagas no 1º semestre de 2026 subiram 79,5% na comparação anual; em Rondônia, o salto foi de 47,5%, segundo o Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste.
O governo brasileiro avalia os impactos do fenômeno no setor agropecuário desde julho.
Em setembro, o presidente Lula sancionou a lei que torna obrigatória a subvenção ao seguro rural, rede de proteção para quem perde safra ou rebanho por causa do clima.
O que acontece agora
Em Honduras, agricultores torcem por chuva até dezembro para salvar o 2º ciclo de plantio de milho e feijão. No Brasil, o período mais crítico do El Niño vai de outubro a dezembro, bem no início da safra de verão.
No Brasil, o monitoramento é diário pelo Inmet, Inpe, ANA e Cemaden.





























