A SentinelX, empresa responsável pela plataforma digital do Smart Sampa, foi registrada na Junta Comercial de São Paulo 29 dias depois de a prefeitura assinar o contrato do programa de videomonitoramento, em agosto de 2023, segundo a Folha de S.Paulo.

É o nome da SentinelX que aparece nos sistemas internos do Smart Sampa toda vez que um agente navega pelas imagens das câmeras ou pesquisa dados de suspeitos identificados pela tecnologia de reconhecimento facial. A empresa está no centro de um contrato bilionário da prefeitura.

Como a SentinelX entrou no consórcio

O consórcio Smart City SP venceu a licitação da prefeitura com uma proposta de R$ 9,8 milhões mensais, hoje somando R$ 588 milhões em cinco anos de contrato.

A composição original reunia as empresas CLD, Flama Serviços, PK9 e a catarinense Camerite, fornecedora da tecnologia de câmeras.

Um ano após a assinatura, a SentinelX substituiu a Camerite no grupo. A entrada só foi aprovada pela gestão municipal em outubro de 2024, quando o programa já estava oficialmente inaugurado.

A mudança foi formalizada por aditivo em dezembro de 2025. Até lá, era o nome da Camerite que figurava no contrato original.

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O sócio dos dois lados do contrato

Jorge Marques Moura é sócio da SentinelX desde 2025. Ele também é sócio da CLD, uma das empresas que já integrava o consórcio original, e foi quem assinou o aditivo que trouxe a SentinelX para dentro do grupo, na condição de administrador do próprio consórcio.

A operação da SentinelX também não ficou restrita a São Paulo: subdomínios ligados à empresa fazem referência a outras cidades, como Guarulhos, Campinas, Joinville, Goiânia, Mairiporã e Catanduva.

O que acontece agora

A plataforma que a SentinelX opera já teve duas falhas de segurança expostas em menos de um mês. Em outubro, um vazamento deixou 58 mil câmeras do Smart Sampa acessíveis por quase um ano.

A prefeitura não informou se a origem da nova falha, que expôs outras 17 mil câmeras de parceiros, está ligada à plataforma da SentinelX.

O episódio soma-se ao desgaste político em torno do programa: Flávio Bolsonaro chegou a prometer levar 1 milhão de câmeras do Smart Sampa para todo o Brasil durante a campanha, e a falha de segurança passou a pesar sobre essa promessa.