O jogador Kaique Pereira Ramos, de 20 anos, chorou e caiu no chão após ser chamado de 'negro rajado' num jogo de futebol de várzea em Posse (GO), no domingo (1º de novembro). Ele registrou boletim por racismo na terça-feira (3 de novembro).

O jogo era disputado num campeonato local na comunidade quilombola do Povoado Cachimbo, pela equipe Bacopari Mirim. Kaique foi chamado de 'negro rajado' ao pedir licença para cobrar um lateral, segundo seu relato à TV Anhanguera.

Um vídeo nas redes sociais mostra o jogador aos prantos, deitado no chão, amparado por colegas e por policiais militares. O suposto autor já tinha deixado o local quando a PM chegou, segundo a corporação. Kaique relatou ter passado mal depois do episódio.

"Me senti humilhado, à noite não consegui dormir. Minha vida não é a mesma depois que aconteceu isso, dá vontade de desistir de tudo."

Kaique disse ainda que quer Justiça e que o agressor responda pelo que falou, e pediu que outras vítimas de racismo denunciem.

A organização do 13º Campeonato do Povoado Cachimbo também se manifestou. Em nota, disse que "não compactua com qualquer ato racista" e que o atleta tem direito de buscar os órgãos competentes para a denúncia.

O que diz a lei sobre o caso

O caso foi registrado na delegacia de Posse como racismo, crime que a Lei 14.532/2023 equiparou à injúria racial. A pena para esse crime passou de 1 a 3 anos para 2 a 5 anos de reclusão.

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A pena pode dobrar se houver mais de uma vítima ou se o ato ocorrer em evento público. O crime também passou a ser inafiançável e imprescritível.

O Supremo Tribunal Federal já tem jurisprudência dura sobre o tema. Em junho, a Corte anulou a absolvição de um réu que havia se recusado a servir café a uma pessoa negra.

Segundo a Polícia Civil do Rio, as denúncias de racismo cresceram no país. A alta foi de 67% em 2025, com mais de 7 mil casos registrados. Mais de 300 pessoas estão presas por crimes de ódio, segundo a fonte.

O caso de Posse entra numa onda crescente de denúncias no país.

O que acontece agora

A Polícia Civil de Posse investiga o caso como racismo desde a terça-feira (3 de novembro). O nome do suposto autor da ofensa não foi divulgado, e a corporação ainda não informou se já identificou o responsável.