A Polícia Civil do Rio deflagrou a Operação Blackout na quarta-feira (4 de novembro) contra funcionários da Light suspeitos de furtar cabos de cobre. Agentes cumprem sete mandados de busca e apreensão contra 25 deles, que teriam levado o material a um ferro-velho no Caju.
A Light, que saiu da recuperação judicial em setembro ao reduzir a dívida líquida pela metade, registrou o furto que deu início à investigação. Imagens de câmeras mostram um veículo caracterizado da concessionária mexendo na rede elétrica de madrugada, em Botafogo.
O rastreamento do carro levou a polícia a um ferro-velho no Parque Boa Esperança, no Caju. O local é apontado como o provável destino do material roubado, segundo a investigação.
Os mandados cumpridos na quarta-feira (4 de novembro) também miraram Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense onde a Polícia Federal, em agosto, já tinha ido atrás de outro esquema na Operação Malebolge, contra fraude de CPF.
O ferro-velho do Caju fica em área sob influência do Terceiro Comando Puro (TCP), a mesma facção que a Polícia Militar mirou numa operação na Maré, em setembro. Por isso, a Blackout contou com apoio de blindados da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Como funcionava o esquema
O esquema começou a ser investigado depois que a Light comunicou o furto de cerca de 500 metros de cabos de cobre em Botafogo, na madrugada de 11 de abril. O prejuízo da concessionária com esse furto foi estimado em R$ 80 mil.
Entre 12 de abril e 19 de maio, 16 veículos da concessionária fizeram 37 visitas ao ferro-velho sem ordem de serviço. Os investigadores apontam que o padrão pode estar ligado a outros furtos. Juntos, os casos somariam mais de 2 quilômetros de cabos de cobre.
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O próprio ferro-velho também é alvo dos mandados, assim como os funcionários que mais fizeram viagens suspeitas até lá.
Os números mostram que o problema vai muito além do furto que deflagrou a investigação. O Rio já perdeu dezenas de milhões de reais com cabos arrancados de postes e semáforos nos últimos cinco anos.
A Light é mais uma vítima dessa cadeia, que vai do furto à receptação.
Levantamento da Agência Brasil mostra que o furto de cabos de cobre causou R$ 69 milhões em prejuízo aos cofres públicos do Rio entre 2021 e 2025. O valor soma as perdas da CET-Rio, responsável pelos semáforos, e da RioLuz, que cuida da iluminação pública.
"O combate também foca no receptador, para desestruturar essa cadeia logística criminosa", disse o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, ao comentar o problema no Rio em setembro.
O que acontece agora
A Polícia Civil segue apurando a participação de cada um dos 25 funcionários investigados. Os documentos e equipamentos apreendidos na quarta-feira (4 de novembro) devem ajudar a identificar os receptadores do cobre e medir a real extensão do esquema dentro da concessionária.































