O Corpo de Bombeiros de São Paulo suspendeu, na noite de sexta-feira (6 de novembro), as buscas no prédio de quatro andares que desabou no Brás, região central da cidade, após identificar risco de novo colapso. O trabalho é retomado no sábado (7 de novembro).

O teto do imóvel, na Rua Maria Joaquina, nº 192, desabou por volta das 18h38 de sexta-feira, quando 35 pessoas estavam no local, a maioria funcionários. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a loja atingida é a Venom, de roupas e tecidos.

O comércio vizinho, a Clay Têxtil, também foi afetado e recebeu auto de interdição. Oito pessoas saíram do imóvel por conta própria e 27 foram retiradas pelas equipes de resgate.

Quatro ficaram internadas na UPA da Mooca, em estado estável e sem risco de morte. Os bombeiros não descartam a possibilidade de haver uma vítima sob os escombros.

A suspensão das buscas, por volta de 22h22, veio depois de os bombeiros notarem movimentações na estrutura e ouvirem estalos. Segundo a capitã Karoline Magalhães, do Corpo de Bombeiros, os profissionais foram retirados do imóvel e engenheiros foram chamados para avaliar as condições do prédio.

Durante a noite, cães farejadores indicaram sinais suspeitos sob os escombros. Em entrevista à CNN Prime Time, a capitã Karol Burunsizian explicou o alerta dos animais:

"O cão subiu ao topo dos materiais e latiu. É uma indicação de que tem alguma coisa aqui. Não é sinal concreto que tem uma pessoa, mas é uma indicação"

As equipes também analisaram imagens de câmeras de segurança para checar quem entrou e saiu do imóvel, mas a verificação foi inconclusiva. Segundo a corporação, a probabilidade maior é de que não haja ninguém no local.

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Enquanto durar a dúvida, a demolição do prédio não pode ser feita.

Por que o prédio não tinha autorização para funcionar?

O prédio não possuía o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) vigente, documento que certifica que uma edificação cumpre as normas de segurança contra incêndio. Sem o certificado, a loja Venom não tinha autorização para operar no imóvel.

A corporação evitou comentar o que teria causado o desabamento, e as causas ainda são investigadas. Trabalhadores e testemunhas no local apontaram excesso de peso nos andares superiores como possível causa.

Um dos sobreviventes, Edmilson Miranda Silva, de 35 anos, disse a jornalistas que o prédio já apresentava rachaduras. Ele contou que deixou a loja assim que ouviu estalos e percebeu a estrutura cedendo.

Outro sobrevivente relatou temor semelhante sobre prédios vizinhos: "tem outros prédios que nós descarregamos aqui também que dá até medo [...] a estrutura não é preparada para esse peso todo", disse.

O que acontece agora

Uma retroescavadeira da Prefeitura de São Paulo deve ser usada nesta manhã para retirar parte dos escombros e abrir caminho até o fundo do estabelecimento. Com o acesso liberado, os bombeiros devem retomar as buscas com os cães farejadores.

A Defesa Civil já interditou os prédios e lojas vizinhos, que também correm risco pela fragilidade da estrutura. O caso é um novo capítulo do desabamento que já havia deixado ao menos 17 feridos na véspera.

É um problema recorrente em São Paulo: prédios antigos e sem a documentação de segurança em dia. Em setembro, o desabamento de um prédio embargado na Penha matou duas mulheres.

Em junho, uma construção embargada em Sorocaba seguiu funcionando mesmo após denúncias e a morte de um operário.