O Brasil registrou em 2025 o menor número de casos de malária em quase 50 anos, segundo o Ministério da Saúde. Foram 118.037 casos, queda de 14,8% em relação a 2024, o índice mais baixo desde 1978, ano do início da série histórica do ministério.
O número de mortes pela doença também recuou: baixa de 30% em 2025 na comparação com o ano anterior.
Segundo o Ministério da Saúde, o resultado reflete a ampliação do diagnóstico, mais testes disponíveis, acesso a tratamento adequado e a incorporação da tafenoquina, medicamento usado contra a forma mais comum da doença no país.
Como a tafenoquina chegou a mais gente
Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas já haviam usado a tafenoquina no Brasil, incluindo 3.920 tratamentos em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
Desde março de 2026, o SUS oferece uma formulação pediátrica do medicamento para crianças a partir de 2 anos e 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes já haviam recebido o remédio.
Onde a malária ainda concentra os casos
A malária no Brasil está historicamente concentrada na Amazônia Legal, região que soma mais de 99% dos casos do país. A área reúne nove estados: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
A tafenoquina já havia sido implementada em 49 municípios de seis desses estados e em nove Distritos Sanitários Especiais Indígenas. A Fiocruz também produz a combinação de artesunato com mefloquina, usada nos casos graves da doença.
O governo retomou ainda a distribuição de mosquiteiros impregnados aos estados amazônicos: foram 300 mil redes e 100 mil camas entregues.
O mesmo boletim que traz a queda da malária registra alerta em direção oposta: o Ministério da Saúde afirma que o sarampo preocupa o governo, com aumento de casos que contrasta com a melhora contra a malária.
O que a queda da malária não resolve sozinha
A malária caiu porque tratamento e diagnóstico chegaram a mais gente. Resta saber se o mesmo esforço vai conter o sarampo, doença evitável por vacina que caminha na direção contrária dentro do mesmo boletim do ministério.


























