A Anvisa aprovou nesta segunda-feira (24) o segundo medicamento genérico de semaglutida do Brasil, fabricado pela Germed. A decisão saiu no Diário Oficial da União e libera quatro apresentações injetáveis de 1,34 mg/mL. Por lei, o produto tem que custar pelo menos 35% menos que o Ozempic, referência da Novo Nordisk.

O registro da Germed cobre canetas aplicadoras com agulhas descartáveis, em cartuchos de 1,5 mL ou 3 mL e validade de 24 meses. É o segundo genérico da substância no país, depois do primeiro registro concedido à EMS uma semana antes, em 17 de agosto.

A concorrência só existe porque a patente da semaglutida da Novo Nordisk, a mesma molécula do Ozempic e do Wegovy, venceu no Brasil em 20 de março. Desde então, o mercado nacional viu uma corrida de laboratórios atrás da substância.

A Anvisa já tinha liberado em julho outras cinco canetas com o mesmo princípio ativo (Orsema, Owozy, Semavy, Seemasun e Zempneo), além dos genéricos da EMS e da Germed.

Pela regra da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), todo genérico tem que sair a um preço pelo menos 35% menor que o do medicamento de referência. O Ozempic e o Wegovy custam hoje entre R$ 1.077,79 e R$ 2.696,75 por caneta, dependendo da dosagem.

A versão genérica da Germed ainda depende da aprovação de preço da própria CMED antes de chegar às prateleiras. Preço menor tende a ampliar o acesso ao tratamento tanto para diabetes tipo 2 quanto para obesidade, hoje represado pelo custo alto das canetas de marca.

Genérico tem o mesmo efeito da marca?

Endocrinologistas consultados por veículos de saúde nas últimas semanas concordam que a chegada do genérico amplia o acesso, sem mudar a indicação clínica do tratamento.

"O que muda com a chegada do genérico é o acesso à medicação. As indicações continuam as mesmas", diz a endocrinologista Angela Nazário, presidente do Instituto da Pessoa com Diabetes (IPD).

O endocrinologista Rodrigo Mendes, da Afya Educação Médica de Curitiba, pede cautela. "A semaglutida deve ser utilizada sob prescrição e acompanhamento médico, com indicação adequada, definição individualizada da dose, titulação progressiva e monitoramento da resposta ao tratamento e de possíveis efeitos adversos", afirma o médico.

O alerta ecoa numa frente próxima. A Sociedade Brasileira de Pediatria já recomendou contra o uso das canetas emagrecedoras em crianças sem indicação médica, num momento de popularização acelerada do medicamento no país.

O que acontece agora

A Germed ainda depende do preço aprovado pela CMED para vender o genérico, quando o desconto de 35% vira valor de tabela. O mercado segue sob pressão de novos concorrentes. A maioria das sete canetas de semaglutida aprovadas em 2026 ainda não tem data de venda.