O açúcar bateu a maior cotação em 15 meses em Nova York e 16 meses em Londres nesta quarta-feira (19), e as usinas brasileiras estão aproveitando a alta para travar preço da safra que ainda não foi vendida. Só em agosto, o contrato para outubro subiu 14,7% na bolsa de Nova York.

A recuperação chega depois de dez meses em que o setor operava no prejuízo. Para as usinas do Centro-Sul, é a primeira janela em quase um ano para fechar contrato de exportação com folga.

Por que as usinas estão correndo para fixar preço agora

Fixação é o termo do setor para o momento em que a usina trava, com antecedência, o valor de venda do açúcar que ainda vai produzir.

Até meados de julho, o Centro-Sul já tinha fixado 75% do açúcar da safra atual para exportação, segundo a Archer Consulting.

Felipe Vicchiato, da São Martinho, uma das maiores produtoras do país, resumiu a estratégia.

"Vamos aproveitar para pegar uma tela mais próxima de 16 a 17 centavos", disse Vicchiato, sobre a decisão de fixar mais açúcar para a safra 2026/27.

Camila Lima, da consultoria StoneX, reforçou a leitura do momento. "O objetivo aqui não é lutar contra o rali, mas lançar luz para a oportunidade atualmente disponível para produtores", afirmou.

O que está puxando o preço para cima

A consultoria Green Pool elevou a estimativa de déficit global de açúcar para a safra 2026/27 a 4,3 milhões de toneladas. A causa é a mesma crise que pressiona o preço da gasolina.

Com o combustível mais caro, usinas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, estão desviando mais cana para a produção de etanol. Sobra menos matéria-prima para o açúcar.

Nesta quinta (20), os contratos futuros de açúcar bruto na ICE fecharam a 16,87 centavos de dólar por libra-peso para outubro, e a 17,89 centavos para março de 2027.