Os Estados Unidos abriram um corredor marítimo secreto para escoar petróleo pelo Estreito de Ormuz, revelou o site americano Axios nesta quarta-feira (19). Entre 15 e 20 petroleiros cruzam por noite um canal ao sul da costa de Omã, fora da rota sob ameaça iraniana, retirando do Golfo Pérsico cerca de 10 milhões de barris por dia.

Segundo dois funcionários do governo americano ouvidos pela Axios, o volume equivale a metade do que saía da região antes da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Em algumas noites, a movimentação chegou a 15 milhões ou 20 milhões de barris, com mais de 20 navios usando a rota alternativa ao mesmo tempo. A operação está em curso há semanas, mas só veio a público agora.

O presidente americano, Donald Trump, descartou renovar o cessar-fogo de 60 dias com Teerã. Ele afirmou que o estreito continua aberto, sob controle militar dos Estados Unidos.

Um funcionário americano disse à reportagem que Washington mantém esse controle na faixa marítima ao sul do canal há cerca de dois meses.

O efeito no preço da gasolina no Brasil

O Brasil não fica de fora dessa conta. Durante os momentos mais tensos do conflito no Oriente Médio em 2026, o barril do tipo Brent ultrapassou US$ 110, com picos próximos de US$ 126, e a gasolina nas bombas brasileiras chegou perto de R$ 6,77.

Com o Brent acima de US$ 110, a Petrobras segue sob pressão de acionistas e do mercado para ajustar os preços de gasolina e diesel ao patamar internacional.

O motivo é simples. O Brasil compra energia, frete, seguro e financiamento num mercado formado globalmente, e são essas rotas do Golfo que ajudam a determinar, lá na ponta, quanto o consumidor paga na bomba.

É por isso que o corredor secreto importa fora do Oriente Médio. Ao reinjetar metade do volume pré-guerra de volta ao mercado, a operação segura uma alta ainda maior no petróleo, e por consequência no preço já pressionado no Brasil.

Sem essa rota alternativa, a escassez global tenderia a ser maior, e o repasse ao consumidor brasileiro, mais forte.

O que ainda falta para o preço aliviar

A revelação da rota não significa o fim da crise. Trump rejeitou prorrogar a trégua com o Irã e disse que a população americana deve aceitar preços mais altos de combustível como consequência do confronto.

É uma sinalização de que a guerra segue sem data para acabar. Enquanto isso, o corredor funciona como paliativo, não como solução. Ele evita um agravamento maior no curto prazo, mas não devolve o volume normal de petróleo ao mercado.