A Polícia Federal confirmou neste domingo (4) a abertura de uma investigação sobre possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais. Segundo o diretor-geral Andrei Rodrigues, a apuração nasceu de representação da AGU e já levou a dois mandados de busca cumpridos no sábado (3).
O que motivou a investigação
A representação da AGU partiu de reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um projeto batizado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". O Departamento de Estado americano destinou R$ 5,2 milhões ao programa.
O programa, voltado a grupos civis que contestam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), integra um pacote de US$ 176,9 milhões do Human Rights and Democracy Fund, distribuído a 43 iniciativas conservadoras em diferentes países.
"Fizemos ontem a busca e os elementos colhidos neste momento não apontam nenhuma ação concreta", afirmou Rodrigues a jornalistas, sobre o material recolhido nos mandados cumpridos no sábado.
Rodrigues foi além ao comentar o risco para autoridades e instalações diplomáticas:
Não havia nenhum plano, não havia nada que a gente tivesse de imediato identificado. Agora, óbvio, a Polícia Federal tem muita responsabilidade com isso.
Segundo o diretor-geral, a investigação segue como procedimento preliminar. A portaria do inquérito policial ainda não foi publicada, embora a apuração já esteja em andamento dentro da Diretoria de Inteligência da corporação.
A suspeita de interferência chega à reta final da eleição em meio a alertas diplomáticos de pelo menos seis países e à suspensão do atendimento consular dos EUA no Brasil.
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A mesma corporação já havia dito, dois dias antes, não ter achado indício de ameaça à embaixada dos EUA no Brasil. Embaixadas da Austrália, do Canadá, da Irlanda, do Reino Unido e da Alemanha também emitiram alertas de segurança para o período eleitoral.
Americanos e australianos chegaram a suspender o atendimento consular presencial.
Até a publicação das reportagens, o governo americano não havia se manifestado sobre a investigação, segundo o site Terra. O PT já havia pedido ao STF uma apuração sobre a mesma suspeita de interferência, em setembro.
A Abin já havia confirmado indícios de interferência dos EUA e da Rússia no processo eleitoral, em levantamento divulgado em setembro.
O que acontece agora
O próximo passo é a decisão sobre a abertura do inquérito, hoje sem data publicada pela PF. O material dos dois mandados segue em análise na Diretoria de Inteligência, e Rodrigues disse que dali podem surgir novos desdobramentos.





























