O PT pediu nesta quarta (23) ao ministro Flávio Dino, do STF, abertura de inquérito sobre possível interferência estrangeira nas eleições de outubro a favor de Flávio Bolsonaro. O partido também acionou o TSE contra ele e o irmão, Eduardo Bolsonaro.

A petição, protocolada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.178, pede a identificação dos financiadores de ao menos 11 perfis na rede X. Entre 18 e 21 de setembro, eles veicularam publicidade favorável a Flávio sem identificar o responsável pelo pagamento.

O pedido reforça o que já apontava um relatório da Abin sobre risco de interferência dos EUA nas eleições, e o partido também quer apurar possíveis aportes de uma organização ligada à direita americana e conteúdos fornecidos à estrutura do PL.

O advogado Angelo Ferrero atua na área jurídica da campanha de Lula.

"O que estamos pedindo é que os fatos sejam esclarecidos, especialmente quanto à origem dos recursos, à atuação de agentes estrangeiros e a eventuais benefícios eleitorais", afirmou.

Quem mais entrou com ação no mesmo dia

Também nesta quarta, o partido Missão, do candidato Renan Santos, entrou no TSE contra Flávio Bolsonaro por impulsionamento irregular nas redes sociais. A ação pede a remoção de cinco perfis americanos e o bloqueio de anúncios da Polymarket no Brasil.

Dirigida ao vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, a representação cita Visegrad24, Matt Gaetz, Geiger Capital, Eric Daugherty e UHN Plus, perfis que somam 8 milhões de seguidores.

Em entrevista à TV Record na terça-feira (22), Renan Santos disse que "Trump está almejando ter controle sobre o Brasil" e classificou o impulsionamento como interferência externa e uso de dinheiro fora da contabilidade de campanha.

No mesmo dia, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE contra o uso, por Lula, do discurso na Assembleia-Geral da ONU como propaganda eleitoral. A troca de ações no mesmo dia mostra como financiamento e propaganda viraram parte da disputa jurídica da eleição.

Pede multa de R$ 50 mil por peça publicitária que use o discurso. Também requer a cassação do registro de candidatura do petista e do vice Geraldo Alckmin.

O que acontece agora

O pedido foi feito na ADPF 1.178, em que Dino já decidiu que atos unilaterais de outros países não podem impor obrigações no Brasil. Cabe a ele decidir se abre a investigação, enquanto o TSE analisa as ações do Missão e de Flávio Bolsonaro.

O caso se soma ao que o governo já mapeava como quatro frentes de interferência dos EUA na eleição. O primeiro turno está a menos de duas semanas. A disputa segue nos tribunais.

O irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que teve maioria formada no Supremo Tribunal Federal (STF) para manter a condenação, também é alvo da ação do PT no TSE.