A campanha de Lula levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitas de que o governo de Trump favorece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição deste domingo (4). Flávio e o Departamento de Estado americano negam.
O caso ganhou força em 23 de setembro, quando a campanha de Lula pediu ao TSE que investigasse recursos estrangeiros na disputa. No mesmo dia, o PT pediu ao ministro do STF Flávio Dino a abertura de um inquérito sobre interferência estrangeira.
O que já foi apurado até agora?
Nenhum episódio isolado comprova financiamento ou coordenação da campanha de Flávio pelos EUA, mas a lista de suspeitas cresceu: a aproximação do senador com Trump, as tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
Soma-se a isso uma minuta com 21 exigências que o governo americano apresentou ao Brasil em 2025, e um repasse de US$ 1 milhão do Departamento de Estado a um projeto que contesta decisões do STF.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Polícia Federal que identifique quem recebeu o dinheiro no Brasil. Já a Rockbridge Network, organização americana citada nas suspeitas, afirma que a entidade brasileira ligada a ela foi criada, mas não recebeu recursos nem entrou em operação.
O que diz cada lado dessa história
Flávio nega qualquer irregularidade. Segundo o senador, os contatos com autoridades americanas trataram de tarifas, combate ao crime organizado e terras-raras, e ele nunca viajou aos Estados Unidos para pedir apoio eleitoral.
Trump, por sua vez, disse em 1º de outubro que acompanha a eleição brasileira de perto, mas evitou declarar apoio a qualquer candidato. Antes disso, 31 congressistas democratas já haviam pedido neutralidade ao republicano.
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Dias antes da fala de Trump, o Departamento de Estado já havia negado qualquer intenção de interferir no pleito, depois de acusações do próprio Lula.
Para o historiador Andre Pagliarini, da Louisiana State University, a cautela de Trump não é ideológica, mas pessoal: o cálculo seria que Flávio, se eleito, seria leal a ele.
"Como historiador, eu fico olhando o que está acontecendo agora e pensando no que nós vamos descobrir no futuro", disse Pagliarini à CNN Brasil.
Pagliarini traça um paralelo com 1964: segundo ele, os Estados Unidos financiaram em sigilo grupos que ajudaram a desestabilizar o governo de João Goulart. Para o professor, o padrão de interferência americana na região muda de forma ao longo das décadas, mas não desaparece.
O Palácio do Planalto monitora o tema desde janeiro, quando uma operação americana na Venezuela levou à captura do ditador Nicolás Maduro. O episódio levou auxiliares do presidente a acompanhar a repercussão da política externa de Trump na eleição brasileira.
O ponto em aberto
As ações no TSE e no STF ainda tramitam, e nenhuma delas chegou a uma conclusão até a votação deste domingo.
A pergunta que fica, segundo o paralelo histórico levantado por Pagliarini, não é se existe interesse de um governo estrangeiro no resultado de uma eleição brasileira, mas em que formato esse interesse se manifesta desta vez.
E se as instituições que apuram o caso hoje terão chegado a uma resposta clara antes da posse do próximo presidente.





























