O Escritório de Direitos Humanos da ONU afirmou nesta sexta-feira (2) acompanhar a eleição brasileira e expressou preocupação com a desinformação no pleito, após receber carta do Instituto Vladimir Herzog sobre risco de interferência dos Estados Unidos no primeiro turno, neste domingo (4).

Acompanhamos a situação dos direitos humanos no Brasil no período que antecede as eleições, como faz em todo o mundo em países que passam por processos eleitorais, incluindo a preocupante disseminação de desinformação, que tem afetado eleições em diversas partes do mundo.

A frase é de Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, que confirmou o recebimento da carta do Instituto Vladimir Herzog. Segundo ela, a ONU não se pronuncia sobre processos políticos em curso.

O que diz a carta do Instituto Herzog

A carta, enviada em 17 de setembro ao secretário-geral Antônio Guterres, alerta para risco de pressão sobre instituições brasileiras e para eventual contestação do resultado pela Casa Branca. O documento pede que os países-membros da ONU reconheçam o resultado das urnas.

O documento cita reuniões no consulado dos EUA em São Paulo com influenciadores de direita e a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.

A Abin já tratava o risco de interferência dos EUA como nível crítico, mostrou reportagem da TV Sim Brasil.

O governo Lula também já via sinais de interferência nas tarifas e sanções contra autoridades brasileiras aplicadas pelos EUA nos últimos meses.

Do lado americano, parlamentares já tinham cobrado um compromisso de Trump com o pleito. Agora, a deputada democrata Linda Sánchez, o colega Adriano Espaillat e outros 48 parlamentares classificaram as ações do governo Trump como ataques à democracia brasileira.

O governo dos EUA, por sua vez, afirma que vai respeitar a escolha dos brasileiros em eleições livres e justas.

O PT, pediu ao STF a abertura de investigação sobre interferência dos EUA na campanha do deputado Flávio Bolsonaro.

O que acontece agora

O primeiro turno das eleições gerais ocorre neste domingo (4), e o eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro. A ONU não indicou se fará novo posicionamento, e nem o Itamaraty nem o governo dos EUA comentaram as denúncias da carta.