O psiquiatra e escritor Augusto Cury, de 67 anos, é o candidato do Avante à Presidência da República em 2026. Autor de mais de 40 milhões de livros vendidos no Brasil, ele lançou a candidatura em agosto defendendo a troca do presidencialismo pelo semipresidencialismo, com o governador Tarcísio de Freitas como primeiro-ministro.
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, com pós-graduação pela PUC-SP, Cury é descrito como o psiquiatra mais lido do mundo. Seus livros de autoajuda e inteligência emocional já foram publicados em mais de 70 países.
A candidatura foi oficializada pelo Avante em agosto, com Júlio Delgado como vice na chapa.
O que Cury propõe
No plano de governo, Cury defende que o Brasil adote o semipresidencialismo, modelo em que o presidente divide a condução do Executivo com um primeiro-ministro apoiado pela maioria no Congresso.
Ao lançar a candidatura, disse que convidaria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para o cargo.
Outras propostas incluem mandato de 8 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal e redução da Corte de 11 para 9 integrantes. Cury também defende o fim da reeleição, que chama de "uma das fontes da corrupção".
O termo "augusto cury é de qual partido" liderou as buscas no Google no Brasil nesta terça-feira (25). É sinal de que boa parte do público não conhecia a filiação partidária do escritor até a repercussão do lançamento chegar às buscas.
A estreia contestada no debate
Cury foi um dos únicos três candidatos que efetivamente compareceram ao primeiro debate presidencial, no domingo (23). O evento havia sido anunciado dias antes com seis nomes confirmados, mas Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema confirmaram ausência horas antes de começar.
Antes de entrar no estúdio, ele chegou a anunciar que também não debateria, em protesto contra o que chamou de irresponsabilidade dos ausentes, e só voltou atrás depois de uma live com o influenciador Pablo Marçal.
A atitude de indecisão e mágoa contrasta diretamente com os ensinamentos de autorregulação emocional e resiliência.
A frase é do analista político Iago Yoshimi, um dos comentaristas que acompanharam o debate ao lado de Mara Luquet e Evandro Éboli. Para eles, o episódio expôs uma fragilidade estratégica incomum para quem se apresenta como alternativa moderada em meio à polarização.
O ponto em aberto
Cury amarrou sua proposta mais ambiciosa, a virada para o semipresidencialismo, a uma mudança que só o Congresso pode aprovar, por emenda constitucional. A pergunta que fica não é sobre o desempenho dele na disputa, mas sobre o destino dessa proposta específica.
Ela deve sair da campanha e virar proposta de fato debatida no Congresso depois de outubro, ou ficar restrita ao papel de bandeira eleitoral?


























