O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais, disse à TV Globo que mantém gratidão ao presidente estadual do partido, deputado federal Euclydes Pettersen, mas que ele não terá cargo nem influência em seu governo, se eleito.

Pettersen foi indiciado pela Polícia Federal em julho por suspeita de receber R$ 14 milhões em propina da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), atuando como "fiador político" da entidade junto ao INSS.

Cleitinho disse que a apuração deve seguir seu curso. "Se daqui uns dias ele for condenado, ele vai ter que pagar como qualquer um tem que pagar", afirmou o candidato, que negou ser alvo de qualquer investigação ligada ao caso.

"Não vou fazer como os outros candidatos. Não vou falar não eu não conheço, não sei quem é", disse Cleitinho, sobre Pettersen, que conheceu em 2022. Ele foi autorizado pelo Republicanos e confirmou a candidatura ao governo de MG em agosto.

Por que Cleitinho rompeu o apoio ao Senado

Cleitinho afirmou que rompeu o apoio a Pettersen quando o deputado planejou disputar o Senado, já sob investigação. "Eu conversei com ele e falei: agora eu não consigo te apoiar como candidato a senador. [...] Agora você tem um processo para poder se defender", disse.

O que apura a Polícia Federal

A Polícia Federal investiga Pettersen na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a PF, ele recebia repasses mensais para garantir proteção à Conafer, incluindo evitar fiscalizações e sustentar convênios da entidade com o instituto.

"O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial", disse Pettersen em nota, negando participação nas fraudes e afirmando que as conclusões da PF foram formadas sem contraditório e sem examinar sequer uma linha da defesa.

Pettersen segue candidato à reeleição para deputado federal por Minas Gerais. Cleitinho disse que as decisões de um eventual governo seriam só dele: "Ele é presidente do meu partido, como você disse. É só o presidente do meu partido."

A campanha de Cleitinho enfrenta outro escrutínio: o Ministério Público investiga o uso de aviões de empresários em eventos da candidatura, apuração à parte do caso Pettersen.

A Operação Sem Desconto é o mesmo tipo de esquema que levou à prisão do chamado "Careca do INSS", cujo filho ficou 9 meses preso antes de ser solto pelo STF.