O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18) que um candidato à Presidência tem ligação com milicianos do Rio de Janeiro. Em entrevista à Rádio Tupi, ele não citou nomes nem provas, mas fez referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
"Tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos no Rio de Janeiro", disse Lula à Rádio Tupi. "Na hora que você começa a analisar a situação do Rio, você vai perceber que tem muita gente da família Bolsonaro metido com os milicianos", completou.
Lula também criticou a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, banco investigado por suspeita de fraude bilionária: "Está enterrado até o pescoço com essa relação promíscua com o Vorcaro".
Flávio teve relações políticas e funcionais documentadas com pessoas depois identificadas pelo MP-RJ como integrantes de milícias. A principal conexão é com Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como líder do Escritório do Crime, morto em 2020 na Bahia.
A mãe e a ex-mulher de Adriano foram nomeadas para cargos no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual na Alerj. Segundo o MP-RJ, parte dos salários das duas teria sido repassada ao esquema de "rachadinha" investigado no gabinete.
Outro elo citado é Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio, apontado pelo MP-RJ como intermediário do dinheiro da "rachadinha". As acusações contra Flávio nesse caso foram arquivadas depois que o STJ e o STF anularam as provas.
Em junho de 2026, o vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, já havia determinado a remoção de publicações nas redes sociais que associavam Flávio a organizações criminosas, milícias e tráfico. Lula, por sua vez, defendeu uma "limpeza" na política e na polícia do país.
Até a publicação desta reportagem, Flávio Bolsonaro e sua campanha não haviam se manifestado publicamente sobre a declaração. A troca de farpas mostra como a segurança pública virou um dos eixos mais tensos da campanha presidencial de 2026.
O que acontece agora
O caso de Vorcaro segue em aberto: a defesa do banqueiro pediu nesta sexta (18) ao STF o fim da prisão preventiva, decretada em março sob suspeita de ocultar bilhões em ativos.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue a campanha rumo a outubro: nesta sexta, ele anunciou que vai recrutar fiscais de urna para acompanhar a votação, mesmo dia em que foi alvo das críticas de Lula.





































































