Os russos começaram a votar nesta sexta-feira (18) numa eleição parlamentar de três dias para a Duma de Estado, a primeira desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Putin diz que o resultado vai provar o apoio popular à guerra.
A maioria dos candidatos contrários à guerra não foi autorizada a concorrer, e o partido governista Rússia Unida deve manter a posição dominante que tem desde 2021, quando obteve 49,8% dos votos e ficou com 310 das 450 cadeiras da Duma.
O Yabloko, único partido legal na Rússia que defende abertamente negociar o fim da guerra, teve sua lista nacional de candidatos excluída pelo Supremo Tribunal russo, após ação de um partido nacionalista. Restaram só alguns candidatos dele em distritos uninominais.
"A escolha de vocês e a vontade de vocês demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas estão ao lado de nossos soldados", disse Putin, em discurso televisionado. Ele completou dizendo que os russos são "um povo unido" que "ninguém conseguirá dividir ou intimidar".
Uma propaganda na TV estatal mostrou soldados erguendo a bandeira russa após vencer batalha na Ucrânia, com o slogan "a voz deles é a voz da vitória, seu voto é a força da Rússia".
A eleição também está isolada de fiscalização internacional. A OSCE não foi convidada a observar o voto e classificou a decisão como sinal de "afastamento dos princípios de transparência, prestação de contas democrática e Estado de Direito".
O Golos, principal observador eleitoral independente da Rússia, fechou em 2025 após pressão das autoridades. Um grupo hacker chamado CikLeak alegou ter penetrado os servidores da comissão eleitoral, descrevendo o sistema de voto eletrônico, usado em mais de 30 regiões, como "completamente opaco".
Uma pesquisa do centro independente Levada mostra que mais de 60% dos russos preferem negociar o fim da guerra a continuar lutando. É o dado que menos aparece na propaganda oficial do Kremlin.
O Kremlin já mostrou que sabe operar sob pressão em outras frentes: nesta semana, confiscou ativos da Nestlé e de outros dois grupos franceses em retaliação a sanções ocidentais. Enquanto isso, seguem as tentativas de negociar um fim para a guerra.
Do lado diplomático, enviados de Trump levaram a Moscou, em setembro, um plano que exige reduzir o Exército ucraniano pela metade. Do lado ucraniano, Zelensky já havia proposto trégua à Rússia para proteger grãos e energia, sem resposta do Kremlin até agora.
O ponto em aberto
A eleição de três dias deve confirmar a maioria de dois terços do Rússia Unida na Duma, número que hoje permite ao partido aprovar emendas constitucionais sem depender de aliados.
O dado que a votação não vai medir é o que a pesquisa Levada já captou: mais da metade dos russos prefere negociar o fim da guerra a continuar nela, e o único partido que defende essa posição foi praticamente impedido de disputar.


























