O preço do diesel nos Estados Unidos bateu recorde nesta semana, a quase US$ 6,40 por galão, segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). A alta ocorre na temporada de colheita e pressiona as finanças dos agricultores, alertou a American Farm Bureau Federation (AFBF).
"Os preços do diesel estão subindo à medida que a colheita começa em todo o país, adicionando mais um custo para os agricultores durante um dos períodos de maior consumo de combustível do ano", disse Faith Parum, da AFBF.
Parum estima o diesel usado nas propriedades rurais em US$ 5,45 por galão, quase o dobro do preço do ano passado. "Esse choque ocorre num momento em que as margens já estão estreitas e os agricultores enfrentam custos de produção recordes", disse ela.
A crise tem duas causas. Primeiro, a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã reduziu a quase nada os embarques de diesel pelo estreito de Hormuz, mesmo com o petróleo bruto continuando a fluir.
A segunda causa é a proibição russa de exportar diesel, decretada em meio a ataques ucranianos às refinarias do país.
O Brasil é o 2º maior importador de diesel do mundo, atrás só da Austrália, e historicamente recebia mais de 80% do diesel importado dos Estados Unidos. Essa fatia caiu desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
Em julho, o país comprou a maior quantidade de diesel americano em quase quatro anos, depois da proibição russa. As refinarias brasileiras operam a cerca de 95% da capacidade, mas o preço na bomba nem sempre acompanha a alta internacional.
O plantio de soja no Brasil coincide com a colheita do milho de inverno nos EUA, o que faz a demanda por diesel disparar dos dois lados do Equador. A demanda extra chega a quase 200 mil barris por dia acima do padrão de entressafra.
"Tudo que nós, agricultores, fazemos envolve diesel, e os custos estão simplesmente consumindo nossa margem de lucro", disse à reportagem do InfoMoney o produtor americano Irineu Orth, que prepara 22 mil acres para a nova safra.
Os estoques de diesel nos EUA estão no nível sazonal mais baixo já registrado. As refinarias americanas produzem em ritmo pré-pandemia, com exportações semanais recordes, e as margens de lucro do diesel estão perto da máxima histórica.
O que acontece agora
A colheita americana segue até o ano que vem, e o efeito no Brasil deve aparecer junto com o plantio da nova safra de soja, que a Conab projeta recorde de 360,8 milhões de toneladas em 2025/26.
Em setembro, o Brasil já deve exportar 8,32 milhões de toneladas de soja, volume que também depende do diesel para chegar aos portos. Quanto mais caro o combustível, maior a pressão sobre o frete que carrega a safra recorde até o embarque.


























