O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, disse nesta sexta-feira (18) que o país não vai enviar tropas nem recursos militares para apoiar a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, resposta à pressão de Trump para que Seul ajude no estreito de Hormuz.
"Não haverá envio de tropas nem de recursos militares para participar desta guerra ou intervir nela", disse Lee em entrevista coletiva. Ele repetiu a recusa três vezes ao longo do encontro com jornalistas, segundo a agência Al Jazeera.
Trump vem pressionando Lee publicamente havia semanas por causa do estreito de Hormuz, antiga rota de petróleo. A pressão ocorre mesmo com tropas americanas estacionadas há décadas na Coreia do Sul para proteção contra o Norte.
"Pedi a eles que participassem dos esforços para desnuclearizar o Irã, mas eles se recusaram", disse Trump, que fez o mesmo pedido de apoio naval a Japão, França, Reino Unido e China.
Em vez de tropas de combate, Lee disse que Seul estuda ampliar o raio de um destróier e navios de apoio hoje usados contra a pirataria na Somália. O objetivo é só proteger petroleiros e navios comerciais sul-coreanos, sem participar da guerra.
O mês passado já havia sido de atrito: Trump reduziu um dos exercícios militares conjuntos anuais entre EUA e Coreia do Sul, chamando as manobras de "totalmente inadequadas e hostis" à Coreia do Norte.
"Ele disse: 'Não, obrigado'. Entendo. Bem, então por que estamos envolvidos em ajudá-los?", reclamou Trump, lembrando a presença militar americana no território sul-coreano.
Recusar o pedido significa que a Coreia do Sul fica de fora de uma guerra que não escolheu, mesmo hospedando tropas dos EUA desde a Guerra da Coreia.
O desgaste ocorre num momento delicado para Lee. Quinze meses após assumir o mandato de cinco anos, sua aprovação caiu para 37%, pressionada por problemas internos e pela tensão com o principal aliado do país.
A disputa nuclear ajuda a explicar a resistência de Seul. Trump avalia que a Coreia do Norte tem 57 armas nucleares "muito poderosas"; o governo sul-coreano estima entre 80 e 120 ogivas, quase o dobro do cálculo americano.
A relação entre as duas Coreias teve pico de aproximação em 2018 e piorou após o colapso das negociações em fevereiro de 2019. Um tribunal de Seul condenou Pyongyang a pagar US$ 32,5 milhões pela destruição do Escritório de Ligação Inter-Coreano, em 2020.
O impasse no estreito de Hormuz já mexeu com o petróleo antes. Em julho, um conflito na região elevou o preço do barril em mais de 8%.
Em agosto, a expiração de um cessar-fogo entre EUA e Irã levou a cotação a US$ 91 o barril. Dias depois, Trump anunciou sanções mais duras contra Teerã.
O novo pacote, batizado de "Dia D Econômico", também expôs o Brasil a tarifas ligadas à disputa com o Irã. A escalada ajuda a explicar por que aliados dos EUA hesitam em se envolver diretamente no conflito.
O que acontece agora
Lee confirmou que Trump "claramente quer diálogo" com a Coreia do Norte e disse que Seul já faz "esforços preliminares de coordenação" para viabilizar uma conversa entre os dois países ainda em 2026.
O resultado, porém, segue incerto. O mesmo pedido de apoio naval feito à Coreia do Sul também foi enviado a Japão, França, Reino Unido e China, e as respostas devem ficar mais claras nas próximas semanas.


























