Uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos trava a cooperação dos dois países contra o crime organizado. Desde agosto, o Departamento de Estado americano segura os vistos de dois agentes da Polícia Federal que assumiriam postos em Miami e Nova York; o Brasil respondeu bloqueando o visto de um agente de segurança dos EUA.
"Hoje, as facções criminosas não conhecem fronteiras. Por isso precisamos trabalhar juntos", disse Edvandir Felix de Paiva, presidente da associação de delegados da Polícia Federal.
Por que a cooperação travou
A ruptura ocorre após um ano de relações tensas entre os dois países, marcado por tentativas de Trump de interferir em assuntos internos do Brasil e pela proximidade do governo dos EUA com Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.
Para o especialista em segurança Robert Muggah, do Instituto Igarapé, "a percepção é que a política de segurança dos EUA em relação ao Brasil ficou contaminada pela política". O ex-embaixador americano Jimmy Story disse que os EUA "querem o Brasil mais próximo, não mais distante".
Em maio, o Departamento de Estado americano já havia classificado as facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas, medida que o cientista político Gilberto Maringoni chamou de "a primeira interferência de Trump nas eleições brasileiras".
O que ficou parado desde maio
Em maio deste ano, Lula apresentou a Trump, na Casa Branca, uma proposta de combate conjunto ao tráfico de drogas mirando as armas e as finanças dos cartéis. O governo americano nunca respondeu.
Especialistas em segurança e inteligência dizem que a cooperação técnica entre os dois países segue funcionando no dia a dia. Mas a falta de coordenação em alto nível pode travar planos mais ambiciosos contra o crime organizado.


























