O secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink, afirmou nesta segunda-feira (14) que o país mantém armas de controle espacial em órbita da Terra. É a primeira vez que Washington admite publicamente esse tipo de capacidade, num momento de tensão crescente com China e Rússia pelo controle do espaço.

Meink não revelou quais são os equipamentos nem como funcionam. Segundo um funcionário ouvido pela imprensa americana, um dos sistemas seria capaz de destruir um satélite hostil em determinadas circunstâncias.

As capacidades, segundo o Pentágono, permitem "disputar e controlar" o espaço e afetar as capacidades do adversário. Podem ser usadas tanto para fins ofensivos quanto defensivos.

Meink também disse que os interceptadores espaciais do programa de defesa antimísseis Golden Dome estão "prontos para o voo".

O anúncio não viola o Tratado do Espaço Exterior, de 1967, que proíbe apenas armas de destruição em massa no espaço, sem vetar outros tipos de arma espacial.

Para especialistas, a admissão funciona como uma espécie de licença diplomática para que China e Rússia assumam capacidades semelhantes, avalia Victoria Samson, diretora de segurança espacial da Secure World Foundation, ao site SpacePolicyOnline.

É inédito um governo assumir que colocou em órbita um equipamento desenhado desde o início para ser arma.

A observação é de Samson, que também avalia que os próprios Estados Unidos têm mais a perder numa eventual disputa militar no espaço, por serem o país mais dependente dele.

O motivo aparece nos números. Os EUA operam mais de 5.000 satélites, a maioria comercial, segundo dados de maio de 2023. A China tem 628, e a Rússia, menos de 200.

Os três países já testaram armas antissatélite. A China destruiu um satélite meteorológico próprio em 2007 e fez um teste não-destrutivo em abril de 2024.

Os EUA destruíram um satélite defeituoso em 2008 e se comprometeram a não repetir testes destrutivos. Já a Rússia lançou sistemas suspeitos de contra-espaço em 2019 e 2022.

A inteligência americana chegou a sugerir que a Rússia tentou desenvolver uma arma antissatélite nuclear, acusação negada por Moscou.

"Temos que conseguir negar à China o acesso à informação para quebrar essa cadeia de ataque", disse o general Chance Saltzman, chefe de Operações Espaciais dos EUA, sobre a estratégia de proteger forças americanas no Pacífico.

O ponto em aberto

A admissão dos EUA muda o tom público de uma corrida que já acontecia em silêncio. Se a leitura de Samson se confirmar, e China e Rússia passarem a admitir capacidades semelhantes, a corrida espacial ganha um novo capítulo.

A pergunta que fica é se a transparência reduz o risco de um incidente no espaço, ou se apenas normaliza uma disputa que, até aqui, todos os lados negavam.