A Samsung liderou uma rodada de investimento de US$ 231 milhões (R$ 1,2 bilhão) na Euclyd, startup holandesa que desenvolve uma arquitetura de chip para inteligência artificial diferente da usada pelas GPUs da Nvidia. A rodada, do tipo Série A, somou 200 milhões de euros.

Fundada em 2024, a Euclyd constrói sistemas de silício para inferência de IA, a etapa em que um modelo já treinado executa tarefas. A proposta muda tanto o processador quanto a arquitetura de memória do chip, buscando reduzir o consumo de energia dos data centers.

Além da Samsung, participaram da rodada a Somerset Capital Partners, o Scaleup Europe Fund (administrado pela EQT) e a Innovation Industries. A meta da empresa é ter milhares de clientes corporativos até 2030.

É mais uma tentativa de reduzir a dependência do mercado de IA em relação a um único fornecedor de chips.

Por que a Nvidia é o alvo

O CEO da Euclyd, Bernardo Kastrup, disse que a parceria com a Samsung oferece mais que capital. Segundo ele, a fabricante "é um dos maiores fabricantes de memória do mundo" e tem uma rede de engenharia e cadeia de suprimentos que ajuda a crescer.

A distribuição comercial dos sistemas da Euclyd está prevista só para 2028. Até lá, a placa usada hoje para rodar IA já custa R$ 26 mil, um dos custos que empurra empresas a buscar alternativas.

Uma corrida maior

A Euclyd não está sozinha nessa disputa. OpenAI, Google, AWS e Meta também desenvolvem chips próprios para IA, na tentativa de depender menos da Nvidia e baratear a conta de energia e infraestrutura.

No Brasil, o mesmo setor de data centers já recebeu incentivo do Congresso: o Senado isentou data centers de impostos por cinco anos, abrindo mão de R$ 5,2 bilhões em arrecadação.